segunda-feira, 31 de maio de 2010

BOA PRA 2a.FEIRA

Segundo recentes estudos do famoso cientista etílico Prof. Dr. Robertson Porretson, amplamente divulgados pela mídia e e-mails urgeeenteees, este calçado conduz o ressaqueado à reflexão, relaxamento e profundas meditações sobre as besteiras cometidas durante o fim de semana.

Importante: é imprescindível o uso do "torturante bandaid no calcanhar" não só em homenagem à Aldir Blanc e Elis Regina como também para auxiliar a correta circulação das energias.

sexta-feira, 28 de maio de 2010

DEZ MANEIRAS DE IRRITAR OS ALEMÃES. (MAS SÓ ELES?)

Tamine Maklouf, acredite, é brasileira, jornalista e mora na Alemanha de onde perpetra o Die Karambolage que vocês podem ver no link aí à direita.
O texto a seguir, na minha opinião, se aplica, guardadas as proporções, a quase todo o mundo.

1 – Demorar a tomar decisões: Como diria minha amiga Dayse, é chegar na padaria, ouvir aquele “pois não?”, escolher o que você quer em menos de 3 segundos e pagar em menos de 2. Se parar pra pensar, vai levar um olhar com laser direcionado à sua pessoa.

2 - Fazer piadas aleatórias sobre nazismo: Você está em uma mesa de bar, com pessoas que acabou de conhecer e de repente vem a sua mente a piada mais genial ever (aconteceu comigo), só que envolve Hitler, judeus e nazistas. Aborte! Os alemães têm um humor bem sarcástico e bom ouvido para piadas (inteligentes), inclusive ironizando com eles mesmos, mas piada nazista é a única que não passa naturalmente.

3 - Dizer “talvez”: Na língua alemã até que existe “talvez”, porém raramente utilizado no dia-a-dia. Para os alemães, só existe sim ou não, sem meio termo. Eles não aceitam um “talvez” como resposta e vão te azucrinar por alguns minutos até você decidir finalmente se é sim ou não! Ps: Estou aprendendo muito com isso.

4 – Estar de “dieta” e ter frescuras com comida: Na mesa da grande família alemã, o prato não é tão pedreiral como no Brasil, então supõe-se que todo mundo vai comer a porção que lhe é de direito, sem mais perguntas. “Sorry, não vou comer esse bife porque estou de dieta”, não tem cabimento, eles vão logo te responder “ué, então porque não faz mais esporte?” Antes que você fique sem resposta, afinal, não faz porra nenhuma de esporte mesmo, é melhor deixar a dieta de lado durante os banquetes familiares.

5 – Fraqueza feminina: Depois da Guerra, uma geração de mulheres ficou viúva e de repente tiveram que começar a realizar o trabalho dos homens. Suas filhas cresceram vendo as mães no trabalho pesado. Então, antes de dizer que não consegue carregar uma caixa de livros, por favor, tente, mas tente de verdade. Se não conseguir, pelo menos tentou. Ah, mania de cavalheirismo também pega mal. Mulher alemã não entende e nem quer ser Lady. Frauenpower impera!

6 – Falar baixo e pra dentro: Ok, falar alemão baixo e pra dentro é uma coisa que não é possível mesmo. Auto-explicativo.

7 – Ficar “magoado”: Olha, isto é incrível. Em minha temporada por aqui, não tive conhecimento de nenhum caso onde X tenha levado a conversa com Y pro lado pessoal e, assim, tenham ficado com raivinha um do outro. Primeiro porque não existe o conceito de “mal entendido” em alemão, tudo é resolvido no momento da eventual discussão. No dia seguinte, sem mágoas. Teoricamente, claro.

8 – Andar devagar: Andar na rua em formato “passeando”, só em alguns dias muito ensolarados-sem-nada-pra-fazer e olhe lá! O alemão tem sempre uma agenda super lotada que não suporta hierarquia entre as tarefas! Buscar o pão na padaria e comparecer a uma entrevista de emprego, por exemplo, devem ser executados no mesmo passo.

9 – Impontualidade: Essa todo mundo sabia. O que nem todo mundo sabia é que dar cano em alemão não vai deixá-lo “bravinho” no dia seguinte. Ele simplesmente vai, com a maior naturalidade, parar de te convidar para encontros, bares e festinhas (leia-se “processo social”). Assim, aos poucos, você sentirá o peso de ter sido impontual com um alemão um dia na vida.

10 – Ser vegetariano: Pessoas, convenhamos. Um povo que elabora o “jogo do dado do porco” não pode levar a sério um vegetariano. Apesar de comerem muitos legumes (feijão verde é legume, afinal?), não há como negar a influência do porco no imaginário teutônico e na seleção natural dos que aqui habitam. Mas devo dizer, o vegetarianismo tem se tornado cool ultimamente. Uma opção para os hippies de plantão é a carne Bio, altamente recomendada para aqueles que se preocupam com o meio ambiente! Você pode perceber que a Alemanha é a terra das oportunidades!

DO "INIMIGO PÚBLICO"


Acelerador de partículas testou com êxito choque dos egos de Cristiano Ronaldo e Mourinho no Real Madrid
26 de Maio - por Mário Botequilha
A reunião dos egos de Cristiano Ronaldo e José Mourinho, no mesmo espaço fechado, estava a levantar problemas de segurança, e até de estabilidade da rotação terrestre e da órbita lunar, mas um teste no acelerador de partículas do CERN sossegou a comunidade internacional. Uma simulação do choque dos dois super-egos no Real Madrid decorreu com sucesso, apesar de ter gerado um buraco negro de anti-matéria, que agora será usado para colocar os excedentários do plantel merengue.

O “Público” é um jornal lisboeta da melhor qualidade. O “Inimigo Público” é um dos suplementos. Seu slogan é “Se não aconteceu, podia ter acontecido” e a pedida de capa é “envie seus textos cómicos e piadolas da net para a Caserna do Leitor”. E eles enviam. Como pode ser visto aqui: http://inimigo.publico.pt/caserna.aspx

quinta-feira, 27 de maio de 2010

DEU CERTO PROS OUTROS? COPIA PRA GENTE!

Copiar o sucesso alheio já é quase uma praxe na indústria automobilística (só nela?). Mas, os designers, ou seja lá o que for, estão cada vez mais descarados, né não?

O Kia Soul está fazendo um tremendo sucesso. A Fiat vem e lança o “novo” Uno.
A campanha publicitária tem uma trilha, bem a propósito, plagiada do tema de The Sting (Golpe de Mestre) com Robert Redford e Paul Newman.

Claro, sendo uma cópia, o carrinho também é muito bonito e tomara que venda muitos “novos” Unos verdes, vermelhos, azuis, amarelos, roxos, etc, que é pra ver se melhora essa nossa paisagem daltônica.

quarta-feira, 26 de maio de 2010

MICRO MISTÉRIO


Elizabeth, perdida em pensamentos, está atrasada.
O papel é azul.
Rogerinho está na rodoviária.
O que está acontecendo?


Seguinte: o primeiro a solucionar o micro mistério leva esta fabulosa obra (25X49cm) da foto.

Obs.: Caso o ganhador não more em Belo Horizonte, o frete é por conta dele. Caso o ganhador more em BH, tem que vir buscar. Caso o ganhador more em BH e seja - ou queira se tornar - amigo, recebe o prêmio no boteco e tem que pagar a cerveja! (Isso é que é premiação...)

No sábado, ou a qualquer momento, a resposta.

terça-feira, 25 de maio de 2010

AINDA FALTA UM


Já temos: Nike – o uniforme oficial da seleção; Guaraná Antarctica – o refrigerante oficial da seleção; Gillette – o barbeador oficial da seleção; Extra – o supermercado oficial da seleção; TAM – a transportadora oficial da seleção; Volks – o carro oficial da seleção; Itaú – o banco oficial da seleção; Vivo – a operadora oficial da seleção; Seara – o hambúrguer oficial da seleção e Nestlé o leite em pó oficial da seleção.
É mole ou quer mais?

Além de não entender direito o significado de, por exemplo, “o supermercado oficial da seleção”, acho que, por via das dúvidas e em todos os sentidos, ainda falta: Charme – o papel oficial da seleção. E, por coerência, a marca deve ser localizada no orobó dos nossos bravos gueeerrrreeeiros!

segunda-feira, 24 de maio de 2010

ALGO NO AR...


No último ano o que tem caído de avião é uma grandeza. Só para ficar nos mais citados, segue lista. (Para os mais supersticiosos, parece que é bom negócio viajar na parte traseira e ser criança...)

22/5/2010 - Queda de avião mata mais de 160 na Índia
Um avião da companhia Air India que partiu de Dubai com destino à Mangalore, na Índia, se acidentou na manhã de sábado (horário local) antes de chegar ao aeroporto da cidade, deixando pelo menos 160 pessoas mortas, segundo informaram autoridades indianas. Segundo a agência de notícias Press Trust, quatro ou cinco pessoas teriam sido retiradas do avião com vida e levadas para hospitais da região.

21/5/2010 - Queda de avião deixa 4 feridos nos EUA
Autoridades estaduais de Nova York informaram nesta sexta-feira que estão investigando as causas do acidente de um pequeno avião que caiu na localidade de Plattekill, quando tentava pousar no aeroporto local na noite de ontem.

17/5/2010 - Três pessoas ficaram levemente feridas na queda de um avião no jardim de uma casa no Estado da Flórida, no sul dos Estados Unidos.

12/5/2010 - Queda de avião mata 103 pessoas na Líbia; menino de 10 anos sobrevive.

21/4/2010 - Aeronáutica investiga queda de avião da Esquadrilha da Fumaça em SC.

Julho de 2009 - Aeronave da Caspian Airlines modelo Tupolev, de fabricação russa, cai no Irã e mata as 168 pessoas que estavam a bordo. O voo saiu de Teerã e tinha como destino a capital da Armênia, Yerevan.

Junho de 2009 - A310 da empresa Yemenia cai com 150 pessoas a bordo ao tentar pousar no arquipélago de Comores, no oceano Índico. Uma menina de 14 anos é a única sobrevivente.

Maio de 2009 - Um Airbus A330-200 da Air France, com 228 pessoas a bordo, desaparece quando sobrevoava o Oceano Atlântico durante o voo 447, entre o Rio de Janeiro e Paris.

Maio de 2009 - O jato particular King Air B350, do empresário Roger Wright, cai em Trancoso, sul da Bahia. Os dez adultos e as quatro crianças que estavam na aeronave - entre eles o empresário, a mulher, dois filhos, netos e outros parentes - morrem carbonizados.

sexta-feira, 21 de maio de 2010

URUCA NA TAILÂNDIA


Paulo Emílio de Medeiros

O mega-shopping Central World, incendiado por manifestantes em Bangkok na quarta-feira, 19 de maio, tinha como nome original World Trade Center. Depois de setembro de 2001, mudaram o nome para Central World.

Não parece ter adiantado.

NA NATUREZA NADA SE CRIA...

“Comunicação integrada ao marketing e focada num conceitual inovador”, “O lúdico interagindo com a realidade” e outras profundidades no gênero devem ter pululado na apresentação dessa idéia até que bem produzida – mas não original.

Puxa gente, que emocionante, uma apresentação de ópera em pleno sábado de manhã no Mercado Central de Belo Horizonte! (Os bebuns egressos da madrugada estão até agora achando que foi delirium tremens...)

Onassis, aquele armador grego que adquiriu a Maria Callas e, posteriormente, a Jacqueline Bouvier/Kennedy/etc, dizia: "Para mim, a ópera não passa de um bando de chefs italianos gritando receitas de risotos uns para os outros".

Pra quem quiser conferir, seguem os links de Valencia/2009 (que, vai ver, pode também não ser a idéia original), de Belô/2010 e da conseqüente reportagem da rêdigrobo.

Mercado Central de Belo Horizonte – mai/2010
http://www.youtube.com/watch?v=3_WRkGV8RpM&feature=player_embedded

MGTV – Rede Globo
http://www.youtube.com/watch?v=XsM5ZQbh5Z4&NR=1

Mercado Central de Valencia – nov/2009
http://www.youtube.com/watch?v=Ds8ryWd5aFw&feature=related

quinta-feira, 20 de maio de 2010

PARA-CHOQUES DA COPA

A Fifa divulgou, essa semana, a lista com as frases que irão estampar os ônibus das 32 seleções na Copa do Mundo da África do Sul. Acho essa "ação" meio sobre o babamarketing, mas algumas, poucas, merecem citação:

Alemanha: Na estrada para ganhar a Copa!
(Direto ao ponto.)

Argentina: Última parada: a glória!
(A eterna arrogância argentina.)

Honduras: Um país, uma paixão, 5 estrelas no coração!
(5 estrelas?! Ah! São da bandeira hondurenha.)

Japão: O espírito Samurai nunca morre! Vitória para o Japão! (Kamikase, haraquiri, por aí.)

Nova Zelândia: Chutando ao estilo Kiwi.
(Deve ser um estilo e tanto.)

Sérvia: Joguem com o coração, liderem com um sorriso! (Elegantes.)

Suíça: Vamos, Suíça! (Um relógio: óbvio, conciso e preciso.)

E a do Brasil: Lotado! O Brasil inteiro está aqui dentro! (Menos mal. Corria o risco de vir com “Guerreiros”, “Brahmeiros” ou qualquer outra imbecilidade no gênero.)

quarta-feira, 19 de maio de 2010

O HORRÍVEL VÍCIO DO...

FUTEBOL!

E, de novo (pra quem tiver paciência, "O HORRÍVEL VÍCIO DO..." em 2009 - novembro), vocês tinham certeza que era cigarro, né não?

Perdi uma mesa final de poker por causa de Portuguesa X Coritiba. É brincadeira? Não.
É que tenho mania de ver televisão e jogar Texas Hold'em ao mesmo tempo. Aí, o futebol estava, acredite se quiser, mais empolgante do que a leenta mesa em que me encontrava.
Resultado: perdi a concentração vendo o surpreendente bom jogo da Lusa contra o Coxa. (2 a 2, a quem interessar possa.) Show de bola dos técnicos – Oswaldo Alvarez X Ney Franco; coisa rara de ver.

Atualização imediata:
Que postzinho mais besta, hein? Parece twitter do Sarney: “Minha secretária trouxe meu remédio – agora vou dormir.” (Remédio?!? Secretária?!? Ele dorme?!?)

terça-feira, 18 de maio de 2010

CURIOSIDADE CINEMATOGRÁFICA

THX 1138, dirigido por George Lucas e primeira realização da American Zoetrope – produtora do Coppola, tem Robert Duvall no papel título e Maggie McOmie (a famosa quem?) como LUH a carequinha e gostosa companheira dele.
O filme é lento, poroso e em duotone. Cheio de caras, bocas, expressões e inexpressões, passou meio batido na época em que foi lançado e virou cult entre os apreciadores de filmes do gênero. Tentei assistir ontem e dormi antes da metade mas, no início da década de 70, achei o máximo.
(Uma das poucas vantagens da idade avançada é aguçar o senso crítico...)

A curiosidade é a seguinte: no papel de um ascendente do Darth Vader está um descendente do homem-macaco! Johnny Weismuller Jr, filho do eterno Tarzan, defende com garbo um dos “chrome-robots” que infernizam a vida do pobre THX.
É dura a vida de artista...

Obs.: os milhares e milhares de leitores que esperavam mais uma “Chaturinha Cinematográfica” vão me perdoar, mas essa era fácil demais.

segunda-feira, 17 de maio de 2010

ENQUANTO ISSO, NA TAILÂNDIA...

Do nosso correspondente Paulo Emílio de Medeiros, provando que lá do outro lado do mundo as coisas não são tão diferentes assim:

No meio da crise (35 mortos e 241 feridos desde quarta-feira, bloqueios de ruas por manifestantes e pelo exército, tiros – não aqui onde moramos, até agora), escutamos no sábado de manhã, aqui do nosso apartamento, alguém falando por alto-falante na rua lá em baixo (em tailandês):

“Deixem suas residências imediatamente! Deixem suas residências. Tragam 100 bahts. E comprem dois quilos de deliciosas longans por 100 bahts.”

Maravilhoso senso de humor e de oportunidade...

(Baht: a moeda tailandesa. 100 bahts equivalem a aproximadamente US$ 3. Longan: fruta tailandesa.)

domingo, 16 de maio de 2010

463

O mais incrível foi a velocidade do acontecimento.
Ao levantar a tampa da privada para o xixi matinal, 5-287-463 se tornou estatística.
O terrível monstro paravirtual das descargas, num bote certeiro e fulminante, arrebatou para as profundezas todo o arsenal viril ali presente.
Ainda sonolento, 5-287-463 ficou parado. Não sentiu nada. Nenhuma dor, só um frio na barriga. Já havia escutado alguma coisa sobre relatos de vítimas. Sempre eram histórias chocantes e improváveis envolvendo rugidos do monstro – que ecoavam nas paredes dos banheiros – e o conseqüente berreiro dos despojados. Não que fosse uma cena grotesca com sangue jorrando ou coisas no gênero. As vítimas não eram sequer tocadas e raramente sentiam algum tipo de dor. Mas sentiam imediatamente, e isso era o pior, toda a ausência da energia que acabava de descer pelas entranhas do monstro.
Sempre achou que isso não aconteceria com ele.
Agora, filosofou, resta viver para saber como vai ser.

Trabalhava numa Central Operadora de Comunicações e, a caminho do escritório, saltou da esteira para pegar o lanche, como sempre fazia. Transferiu os créditos, recebeu seu pacote, passou sem olhar pelo display, em tamanho natural, de 444 (a delícia da hora, seminua, sussurrando eroticamente prosaicas sugestões de compras), voltou para a esteira e seguiu em frente. Claramente, estava confuso.

Chegando ao trabalho, cumprimentou todo mundo e ativou seu terminal. Todos os dias, antes de começar a fingir que trabalhava, dava uma longa olhada geral nas suas páginas favoritas. Checava as últimas notícias, os resultados das corridas e as correspondências. Sempre havia convites para parcerias virtuais e, às vezes, para parcerias reais. Estas estavam ficando um pouco fora de moda, mas para ele ainda aconteciam. E muito. Mas hoje, 463 (como era conhecido) tinha ido direto terminar uma planilha de fluxos requalificados que estava um pouco atrasada. Só notou o inusitado da situação quando, ao apresentar o resultado para sua analista-senior (8-338-966, dona do mais harmonioso conjunto corporal da seção), viu em seu rosto um espanto bem humorado seguido de um meloso -Hmmm, logo cedo? O que te aconteceu?!
Ela, mais de uma vez, havia pernoitado no seu cubículo e adorado as inovações sensoriais que ele disponibilizava (à custa de malabarismos econômico-financeiros) no aposento. Quis mais, os dois se divertiam e as coisas até poderiam caminhar bem. Mas, 463 tinha por norma de conduta não se envolver com ninguém. Humano ou não.
-Nada.
Respondeu ele, espantado de verdade. 966 era coisa do passado, mas ele nunca perderia a deliciosa oportunidade de retomar uma parceria eventual. E aquele tom de voz era mais claro do que um sinalizador marítimo: ela queria.
Daí o espanto de 463. Ele não estava sequer cogitando a hipótese! Lembrava das gostosas ocorrências entre eles e... nada. E, mais espantoso, não sentia nem frustração.

Voltou para seu terminal, abriu as correspondências e encontrou dois convites para as noites seguintes. Uma já conhecida e outra nova. A conhecida tinha sido decepcionante. Só para ele, pelo visto. A nova era resultado de uma campanha de quase um mês envolvendo intensa atividade intelectual, com troca de correspondências, de hologramas, de sensações, envio constante de cartões bem humorados e inteligentes, seguidos de cartões bem humorados e picantes para então descambar no que interessava.
InteressAVA???!!!
É... Interessava. Agora ele pensava na 346 (“Temos os mesmos algarismos finais só que misturados...” tinha sido o approach. Um tanto ou quanto bobo, mas bastou.) e não via nela nenhum atrativo. Era chata, superficial e consumista. Claro, era portadora de um espetacular conjunto corporal cujo holograma ele passara horas analisando, ampliando, estudando e babando. Mas agora a hipótese de parceria estava descartada.
Pensou, com a praticidade inerente à sua formação, que pelo menos iria economizar muitos créditos desativando os aparelhos sensoriais.

Algum tempo depois, visando conhecer melhor sua nova condição, entrou num grupo de conversas e lançou a pergunta: “Algum despojado na sala?” Como isso era, de certa forma, um tabu, não esperava muitas respostas. Mas elas vieram em número maior do que ele tinha imaginado. Entre todas, uma chamou atenção: “Despojado, não! Eu encaro a vida sob uma nova perspectiva.” O nick era “ISIS” e ele foi atrás.
463: Olá, ISIS. Como é isso de “nova perspectiva”?
ISIS: Oi. Ficou curioso por que?
463: Ora, novas perspectivas sempre podem ser interessantes...
ISIS: É. Pra quem sabe aproveitar.
463: Como assim?
ISIS: É pra quem sabe aproveitar as coisas novas que a vida oferece!
463: E o que a vida oferece a um despojado?
ISIS: Muitas coisas. Você foi despojado há quanto tempo?
463: Quem disse que eu sou despojado? Você é.
ISIS: Não. Sou uma reposicionada. Despojados são os que não enxergam as novas perspectivas. O que parece ser seu caso.
463: Você é mulher!
ISIS: Sou muito mulher... E você? É despojado ou despojada?
463: Você está vendo meu numeral. Final impar. Sou homem. Por que você não usa seu numeral? O que é ser reposicionada? Alguma opção de parceria...?
ISIS: Não, seu bobo. Você não me respondeu. Há quanto tempo foi despojado?
463: Ok. Pouco mais de uma semana.
ISIS: Tadinho! Está muito desamparado?
463: Não. Estou é espantado. Não sinto nada... Não sinto raiva, vontade, não tenho ansiedade, nada.
ISIS: É... No começo a gente não sente mais nada mesmo. Depois pode piorar. Depende de você.
463: Como assim? Você fica falando coisas pelas metades. É pra despertar a minha curiosidade?
ISIS: Claro que é. Quer saber de uma coisa boa?
463: Mulheres... Achei que só os homens fossem atacados.
ISIS: É um pouco diferente, mas acontece conosco também. Quer saber ou não?
463: Claro. O que é?
ISIS: Prepare-se: tchan, tchan, tchan-tchan!!! A coisa não é irreversível!!!
463: E daí? Já te falei que não sinto nada. Não tenho saudades, não tenho vontades, não tenho ambições nem frustrações quanto a isso. Passou. Parece que nunca existiu.
ISIS: Você está recente. Logo você começa a ter saudades. É a crueldade do monstro. De início parece que nada aconteceu. Você estranha, mas não sente nada. Acha até que pode ser bom. Depois começa a vontade. Não tem jeito, está dentro da gente. Aí vai ficando muito ruim. Mas, como te falei, não é irreversível.
463: Então, tá. Se isso começar a me acontecer você me cura, tá combinado?
ISIS: Você não está levando a sério, mas tudo bem. Quando precisar, você me acha aqui. Tchau. Um beijo bem gostoso. Lembra como é...?
463: Não. Tchau.

Alguns dias depois, 463 entrou num caixa automático do qual vinha saindo uma humana que, em outros tempos, teria nele provocado imediatos esforços para a devida inclusão ao extenso catálogo meticulosamente construído durante toda uma vida de labuta. Uma linda visão que 463 nem registrou. Mas o perfume ficou no ambiente e era uma delícia de perfume. Ele sentiu uma ligeira angústia que não soube definir e deixou pra lá.
A última semana tinha sido de descobertas. Por exemplo, se divertiu com o fato de ter entrado numa reunião com quatro novas gerentes de vendas e ter saído sem nada mais na cabeça a não ser as questões tratadas. Além de uma análise puramente estética sobre a beleza ou a falta de, dos conjuntos corporais de cada uma. Divertiu-se também com as conversas de intervalo. Numa delas, 235 contava, com habitual riqueza de detalhes, as ocorrências da noite anterior. 463 fez todas as expressões e emitiu todas as interjeições que sabia serem apropriadas para o momento. Mas tinha tanto interesse no assunto quanto teria numa partida de boliche. (Antigo jogo em que os contendores arremessavam seus egos sobre uma pista estreita e lisa com dez pequenos e arredondados pilares no fundo. O vencedor era o que mais incômodo psicológico causasse ao adversário. Os pequenos pilares eram só enfeite.)

Por outro lado, as previsões de ISIS começavam a se confirmar. Depois do acontecido no caixa automático, outros pequenos dissabores foram se somando. Além da persistência daquele perfume em sua mente, um dia, ao passar no corredor, um suave roçar de corpos com 966 o deixou com uma sensação desconfortável. Numa manhã, a voz sensual, ainda que mecânica, da despertadora o fez querer continuar na cama. Noutra oportunidade, ao por do sol, a rápida e dourada visão do que estava por baixo de uma distraída saia levantada pelo vento provocou uma certa taquicardia. E por aí afora.

463: Oi ISIS. Lembra de mim?
ISIS: Lembro sim. Como vai a vida?
463: Indo. Você tinha razão. Estou ficando preocupado. No princípio achei mesmo que poderia até ser uma boa. Estava me sentindo leve, sem nenhum sentimento de perda, nenhuma necessidade, nenhuma frustração, mas agora está ficando complicado. Já pensei até em arriscar uma parceria, mas estou confuso. Sei que nada vai acontecer, que vai ficar mal pra mim, mas quem sabe... Tô com vontade, pô! Você disse que é possível reverter, como é que eu faço?
ISIS: Calma. Não é como num caixa automático... Tem que vir de você.
463: Ih! Já vi que não vai dar certo. O que está acontecendo? Será que o século 20 voltou à moda e eu não estou sabendo? Auto-ajuda, aquelas coisas? E eu achando que era sério! Prefiro auto-atendimento...
ISIS: Mas que sujeito mais ansioso e sarcástico! Me agrada, isso... Vou tentar resumir. Você precisa buscar dentro de você o sentimento que gera a vontade, entendeu agora?
463: Não. Que sentimento que gera vontade? Vontade é vontade. Tem ou não tem. Não vem acompanhada de sentimento.
ISIS: É, o problema é grave. Me conta uma coisa: como você se sentia durante as suas parcerias
463: Ora, algumas eram muito boas, outras nem tanto, mas no geral era bem satisfatório.
ISIS: E você se preocupava com o que elas sentiam? Acha que elas também gostavam?
463: Claro! Quer dizer, acho que sim, é provável. Mas o que isso tem a ver?
ISIS: Tudo. É uma pena, mas o tal sentimento que falei deveria estar aí, junto. Tem que procurar, identificar e construir. Curiosidade: você percebe a diferença entre almoçar e desfrutar uma refeição?
463: Você gosta mesmo de falar por imagens. Que tal me mandar seu holograma?
ISIS: Vou mandar. Você está pensando em arriscar uma parceria comigo?
463: Ôpa! Achei que vocês ainda gostassem de um pouco de romantismo...
ISIS: Ainda gostamos, sim. Mas me diga: não era com isso que você sonhava antigamente? Uma parceria sem precisar perder tempo com toda aquela conversa fiada... Uma numeral inteligente o suficiente pra saber direitinho a hora de ir embora?
463: Continua parecendo discurso antigo. Aliás, você faz o gênero antigo. Nem numeral usa. Conservadora...
ISIS: Meu numeral é 7-532-634. Não sou conservadora e você não gosta de pensar. Preguiçoso...
463: Temos os mesmos algarismos finais só que misturados!
ISIS: Ai, ai, ai, esse papinho, não! Responde, era ou não era o seu sonho?
463: Ô mulher insistente... Tá bom: na maioria das vezes era sim. Afinal isso tornaria as coisas muito mais fáceis e práticas pra todo mundo, não acha?
ISIS: Acho é que você precisa urgente de uma conversa. Ao vivo. Me encontra no mall daqui a quinze minutos. Tchau. Vou usar luz negra.

Há pelo menos uma década ninguém mais usava luz negra. Então foi fácil de achar. Ela parecia uma foto em alto contraste. O facho de luz negra, de cima para baixo, projetava uma imagem que poderia lembrar Mortícia Adams, vamp famosa do século 20. A profusão de fachos coloridos ao redor até compunha uma cena interessante. Entretanto, o que jogou 463 no chão foram os verdes e faiscantes olhos da ISIS. Mas não seu olhar. Ela vinha com aquele ar de mãe quando acha filho perdido na praia – amor e raiva lutando pelo mesmo espaço.
ISIS era decidida. O beijo na boca embalado pelo perfume que, desde o dia do caixa automático, ficara entranhado em suas narinas, provocou em 463 um arrepio geral.
Naquela noite foi jantar e muito conversar. Só.
Seguiram conquistando intimidades, conhecimentos e necessidades.
A reversão, para os dois, aconteceu ao natural. Conseqüência do sentimento que 463, com bom humor, até hoje se recusa a admitir: amor.

sexta-feira, 14 de maio de 2010

ESTUDO DA FIESP

O Departamento de Competitividade e Tecnologia (!!) da FIESP chegou à conclusão que o custo médio da corrupção no Brasil representa cerca de 1,38% do PIB – algo em torno de 41 bilhões e 500 milhões de reais que são desviados anualmente para políticos e gente da patota.

Blá-blá-blá, se esse valor fosse para a educação, blá-blá-blá, para saneamento básico, mais blá-blá-blá. Como solução, a FIESP aconselha reformas na representatividade do Congresso e blá-blá-blá.

Curiosidade:
Através de que informações e como a FIESP chegou a esses números?
Hein, hein?

quinta-feira, 13 de maio de 2010

O NEPOTISMO É DIVINO!

Na coluna do Ancelmo Gois, ontem:

Última do senador Mão Santa, em discurso ontem, defendendo o nepotismo no Brasil: — Até Deus, quando teve de mandar alguém à Terra, escolheu quem? O Filho!

NUNCA NA HISTÓRIA DESSE PAÍS... (Quem mandou inventar um bordão desses?)


HÁ 4 ANOS, ATAQUES DO PCC PARARAM SÃO PAULO

Os ataques tiveram início na tarde da sexta-feira, dia 12 de maio de 2006. Detentos de casas de custódia do interior de São Paulo se rebelaram, inicialmente em Avaré e Iaras. Em seguida, dezenas de penitenciárias paulistas seguiram as primeiras. No domingo, 74 presídios viam seus internos assumirem o controle.

Houve ataques contra ônibus, casa de policiais, bancos, metrô, num total de 293 ocorrências em todo o estado. Morreram 152 pessoas, das quais: 107 criminosos, 41 policiais ou agentes de segurança e 4 civis.

Os ataques do PCC impressionaram não só pelos números, mas pela organização: foram cuidadosamente dirigidos contra alvos públicos e autoridades. Postos de polícia foram atacados com bombas e policiais foram pegos de surpresa na rua e executados covardemente. Agências bancárias e ônibus foram outros alvos preferenciais dos criminosos.

O terror se espalhou por praticamente todo o Estado de São Paulo. Na segunda-feira, os bandidos conseguiram provocar o fechamento do comércio, de escolas, universidades, shoppings centers e até de prédios públicos, como: fóruns e prefeituras.

A situação voltou praticamente ao normal nas cidades do Estado na terça-feira (16), depois que os chefes do PCC ordenaram o fim da revolta, em meio a suspeitas não confirmadas de que o governo do estado acatou algumas das reivindicações dos bandidos.

quarta-feira, 12 de maio de 2010

ACREDITE... SE QUISER!


Tá legal que são frases velhas, acho até que muitas são inventadas, toda hora recebemos centenas de e-mails com “pérolas” afins, mas, infelizmente, já presenciei muita gente boa estufando o peito e despejando asneiras quase nesse naipe.


"(...) quanto à opinião pública, podemos dizer que ela é mutável. Por exemplo: na hora do parto, a mulher pode optar pelo aborto."

"A comunicação é importante porque comunica algo entre duas ou mais pessoas que querem se comunicar".

"O Press-release tem esse nome porque realiza as coisas com pressa".

"O endomarketing é como se fosse o marketing endovenoso."

"Eu acho que a resposta é não. Como o professor deve ter pensado numa armadilha, respondo que é sim."

(A questão dizia que a afirmativa era CORRETA, pedia a justificativa somente).
"Disconcordo com a questão. Ela não pode ser positiva. Nunca fiz prova que o professor dissesse que era afirmativa uma questão. Deve ser uma pegadinha, tipo do Faustão."

"A empresa e o público ixterno caminhão juntos, incluindo aí a emprensa."

"O proficional de comunicação tem um mercado bundante a sua disposição, afinal, todos se comunicam na terra(...)".

"O ruído realmente atrapalha muito a comunicação. Aqui na universidade fico atordoado quando passa o trem, quase não ouço o professor. As salas deveriam ser à prova de som".

"O fidibeque é a mesma coisa que a retroinformação, ou seja a informação que vem por trás."

"Faço comunicação porque acho importante ser comunicadora, mas não acho importante ler jornal (suja a mão), nem ficar em casa vendo TV. Acho melhor me comunicar entre si."

"A comunicação é moderna porque usa modernidades da atualidade."

terça-feira, 11 de maio de 2010

DEUS PROTEJA!

Sem Ronaldinho Gaúcho, Ganso e Neymar.
Com Doni, Gilberto Silva, Kleberson, etc.

O Dunga, burro ou não, capacho do Ricardo Teixeira ou não, tem uma qualidade: é coerente.

Resta torcer.

obs.: de um ridículo à toda prova o Tr(argh)jano, na ESPN, reclamando feito uma tia velha da Globo e afins. Como dizia minha avó, quem não tem competência não se estabelece.
O cidadão devia falar menos e trabalhar mais.

CORROSIVO

“No meio do caminho tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho
tinha uma pedra
no meio do caminho tinha uma pedra.

Nunca me esquecerei desse acontecimento
na vida de minhas retinas tão fatigadas.
Nunca me esquecerei que no meio do caminho
tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho
no meio do caminho tinha uma pedra.”


Depois de explicar que, ao analisarmos um poema podemos detectar as características da personalidade do autor implícitas no texto, o professor pergunta:
- Joãozinho, qual a característica de Carlos Drummond de Andrade que você pode perceber neste poema?
- Uai, professor, pelo jeitão, ou ele era traficante ou usuário.

(Valeu, Alcione.)

segunda-feira, 10 de maio de 2010

A VIDA IMITA A ARTE...


Vaca aparece no telhado de casa após enchente nos EUA

Cena curiosa aconteceu em Nashville, no Tennessee (EUA): uma vaca foi parar no telhado de uma casa por causa da enchente que atingiu o estado. Segundo relato de internauta da TV "CNN", foi colocada uma rampa para tentar descer o animal, mas ele acabou caindo, sem se machucar.


Passado no sul dos EUA, na década de 30, “O Brother Where Art Thou” - dos irmãos Coen - é baseado na Odisséia de Homero. Uma comédia de primeira.
E a vaca vai para o telhado...

sábado, 8 de maio de 2010

DA SÉRIE "EU TENHO QUE SOBREVIVER, ENTENDE?"

Tenho profunda implicância com ecològicamente corretos, polìticamente corretos e hipocrisias afins.
Mas, essa não dá pra deixar passar. Segundo o nosso prezado Fernando Coelho, isso acontece nas margens do Rio Solimões cujo, conforme informações colhidas no baú da memória ginasial, é o Amazonas quando criança.


Atualização 10/5 (Via Mariana "quem sai aos seus não degenera")

Na internet, circula um e-mail com imagens que seriam tiradas na Amazônia, onde pessoas roubariam ovos de tartarugas. Mas a espécie é da Costa Rica e os moradores têm autorização do governo.

http://video.globo.com/Videos/Player/Noticias/0,,GIM1260372-7823-DETETIVE+VIRTUAL+ESCLARECE+IMAGENS+POLEMICAS+QUE+SERIAM+DA+AMAZONIA,00.html

sexta-feira, 7 de maio de 2010

UMA CHATURA ÀS SEXTAS



Powerpoints com piadinhas – às vezes até engraçadas, mas que terminam com uma figurinha tipo Jerry (do Tom & Jerry) dando risadinhas histéricas.
Ou o Muttley (sempre achei que era Butly ou coisa parecida).

É de brochar prisioneiro.

quinta-feira, 6 de maio de 2010

Ô MÍDIA...

Pedófilos – padres ou não –, viciados em sexo, alcoólatras e várias outras categorias estão em alta nos últimos tempos.
Uma única coisa me incomoda: vidrados(as) em garotinhos(as), adúlteros, bebuns e várias outras categorias, quando pobres, e, igualmente pegos em flagrante, são tachados de tarados, escrotos, irrecuperáveis e muito mais.

Por uma reportagem irresponsável, uma escola (Escola de Base) foi fechada em São Paulo. Os confessos bispos, cardeais, párocos etc, etc, estão aí: em gorda aposentadoria precoce.

Se o seu irmão come a secretária, a faxineira e a empregada da casa, ele é malandro, escroto e hipocritamente ignorado no almoço de domingo. Mas se ele é um famoso ator, esportista ou qualquer coisa que mereça constante visibilidade na mídia e come até buraco de bananeira, pede desculpas, promete que vai fazer tratamento psicológico e vida que segue.

Se você toma cerveja fora de casa, volta a 50 por hora - se defendendo e aos outros - a blitz te pega, você está fudido. Mas, se você freqüenta a mídia, vai aparecer nas colunas de fofoca, vai agir da maneira politicamente correta e tudo será arquivado.

Ô vidinha...

quarta-feira, 5 de maio de 2010

O OVO E A GALINHA

O primeiro vírus apareceu em 1986 – o Brain. Uma bobagem, comparado aos de hoje.
Como tudo na internet, a evolução é impressionante: até 1990 havia cerca de 80 vírus conhecidos e os antivírus eram quase que exclusivos para cada tipo.
Em 2007 o número de vírus conhecidos já ultrapassava 150.000. Da mesma forma, multiplicam-se exponencialmente os programas antivírus e, claro, os falsos programas antivírus.

O que não me sai da cabeça é um dilema estilo ovo ou galinha. Afinal, se eu vendo um programa antivírus, preciso de novos vírus para continuar vendendo. Então o que devo fazer, eu que sou um empresário dinâmico e empreendedor?
Hein? Hein?

terça-feira, 4 de maio de 2010

CILADA!

Bruno Mazzeo, em entrevista à Marília Gabriela (caras, bocas, bicos e incoerências a dar com o pau), confirmou o que eu já desconfiava: o cara é bom de bola, de texto e de muito mais.
Entre muitas outras coisas ótimas, apesar dos esforços da cidadã entrevistadora para esculhambar a guerra, saiu-se com essa:
“Eu não sou uma celebridade! Sou um artista. Por mais clichê que isso possa parecer para um leigo. Vamos parar, jornalistas e leitores, de confundir as coisas. O título ‘celebridade’ deu uma desvirtuada e alguma coisa ficou fora da ordem.”
E finaliza citando o Pedro Cardoso: “Sair no site que eu caminhei na praia com minha filha não faz um país melhor”.

Então, pra confirmar o quanto ele está certo, vamos a mais uma rodada de IBN (Índice de Babaquice Nacional). Afinal já tem um bom tempo, né? E, como sempre, nada muda, né?

Priscila Pires começa a segunda-feira na praia
Nana Gouvêa comemora aniversário em bar do Rio de Janeiro
Carolina Dieckmann faz compras em shopping do Rio com o marido e o filho José
Reynaldo Gianecchini prestigia festa que reúne celebridades no Rio
Susana Vieira vai ao supermercado e ganha beijo de fã
Thaila Ayala e Paulinho Vilhena curtem feriado na praia


Bleargh pra vocês também...

domingo, 2 de maio de 2010

sábado, 1 de maio de 2010

PÛM, PÛM!

-Pûmpûm!
-Nããão... É bumbum! Bum-Bum! Esquece, gringo burro. Bunda. Fala: bun-da.
-Oh, yeah! Pûn-dha! I love brazilian pûn-dha!
-(Lóvi, né? Gringo safado…) É BUNDA!!! Repete: BUUNDA!
-Aah, PÛÛNDHA!
-Gúdi, gúdi, é issaí.

Especializada em capturar gringos em Copacabana, Zildinha Pérola Negra, como a alcunha deixa antever, era uma mulher bonita com todos os predicados para reinar no pedaço: pele lisa, muito preta, com poucas e discretas manchas, cabelos trançados, carnes protuberantes nos locais exatos, (des)cobertas por diminutos tecidos.
O dia-a-dia era caminhar pelo calçadão em torno dos quiosques com a natural elegância da raça e, com a experiência adquirida por quilômetros de labuta, escolher o gringo que aparentasse maior disposição para se ver livre de diversos dólares em troca de promessas que poderiam até se cumprir. Dependendo do naipe do escolhido.
Esse holandês, com sua profunda admiração pelas brazilian pûûndhas, não estava levando muito jeito. Mas, início da tarde, poderia ser um aperitivo para a noite vizinha. Caipirinhas, conversa aos arrancos, mímicas variadas. (Zildinha entendia e falava inglês suficiente para se defender em qualquer lugar do mundo, mas preferia se fazer de besta. Era mais prático, seguro e lucrativo.)

Rupert Van Daahen era um ambicioso estagiário de um núcleo de doação de sangue no centro de Amsterdã. Ganhara um concurso de viagens na internet e, graças às opções exóticas dos destinos apresentados, pôde escolher sua fantasia: Brasil. Rio de Janeiro, para ser mais preciso.
Aos 21 anos era obcecado por ginástica, internet e mulheres negras. Coisas comuns lá entre os (só eles?) nórdicos. Administrava a vida entre o estudo, a burocracia do trabalho, malhação na academia e as solitárias contemplações da internet. Era um cidadão comum, adaptado, bem quisto na escola, no trabalho e na vizinhança.

Prática, Zildinha propôs o trivial: massagem com cremes para aliviar a ardência provocada pelo sol naquela pele branca azeda. Hundred bucks, fora o hotel... Rupert entendeu direitinho, sorriu seu sorriso de 32 dentes, pagou as caipirinhas e atravessaram a avenida de mãos dadas. Cruzaram com o Betão e a Gabi. Ela fez que não viu e ficou com o coração apertado. No quarto do hotel, Zildinha foi direto ao banheiro. Rupert desarmou a mochila, desvestiu a roupa e desabou na cama.

Retornando rotineiramente em calcinha e sutiã, Zildinha arregalou os olhos ao encarar as descargas que saíam daquele buraco negro, muito mais vermelhas do que a pele do gringo. Foi a última coisa que tentou entender antes de sua cabeça explodir.
Rupert limpou e guardou a arma. Ficou no quarto até dez minutos antes de vencer o período, pagou os trinta dólares da conta, pegou um táxi para o aeroporto e embarcou. Levou, de lembrança, um frasquinho com um pouco de sangue da Zildinha. Sabe-se lá por quê e pra quê.

Betão, quando ficou sabendo que Zildinha havia dançado, raciocinou que seria um bom exemplo para as outras e seguiu sua vida.
Gabi, quando ficou sabendo que Zildinha havia dançado, sentiu muita raiva, muito medo e seguiu sua vida.
Rupert formou, casou, mudou para Bruxelas onde hoje administra um hospital. Continua fazendo ginástica e tentando a sorte nos concursos de viagens. De vez em quando ainda lembra daqueles barulhinhos tropicais: Pûm, Pûm!

Atualização às 16,15h: acabei de descobrir que esse texto já foi postado em agosto/2009. Perdão leitores mas, vai ficar. (Continuo com preguiça...)