... Tentando "pescar" um candidato que preste.
sexta-feira, 16 de outubro de 2015
quarta-feira, 14 de outubro de 2015
TEM QUE FAZER BIQUINHO
As precursoras das obras que enfeitam oficinas mecânicas (e muitas outras ophicinas) foram as pinups.
Segundo o iphotochannel.com.br, "O termo pin-up vem da história de que as imagens apareciam muito em calendários – do tipo de pendurar na parede ou porta (em inglês, pin-up)".
Segundo o iphotochannel.com.br, "O termo pin-up vem da história de que as imagens apareciam muito em calendários – do tipo de pendurar na parede ou porta (em inglês, pin-up)".
Os desenhos - de inigualável qualidade - eram "inspirados" em fotos ousadas para a época.
Pra mim o inusitado é constatar que, na quase totalidade das obras, as modelos fazem biquinho cujo, claro, devia ser altamente provocante.
E, pensando bem, até hoje, escancarado ou não, elas fazem biquinho.
Ainda bem que para alguns pode continuar sendo provocante.
Eu acho ridículo.
Mas as imagens são ótimas.
segunda-feira, 12 de outubro de 2015
CENAS DE UM PPS
Adorável
vício, lá vou eu para um PPS (Passeio ao Por do Sol) no feriado. Me
arrasto pela orla em deliciosa preguiça, acendo um abençoado cigarrinho e trato
de contemplar o eterno show que o marzão apresenta.
Mas, não posso me esquivar
do show dos humanos que pululam nesse horário.
Pra
começar, uma saudável idosa vem andando, se esticando em alongamentos exotéricos
e, exalando saúde, faz cara feia pra mim.
O que me deu a certeza de ter feito
uma boa ação pois, ao me ver exalando tantos malefícios acumulados, ela
certamente redobrou seus ridículos esforços saudáveis.
Chego
à parte mais povoada da orla e começa a "síndrome do ascensorista": vou passando por pedacinhos de conversa cujas sequências, no mínimo, mereceriam estudos
aprofundados.
Um
casal de muito jovens namorados, ela linda, com carinha meiga, olha fundo nos
olhos do amado e diz com voz romântica e roucomorna: "Tipo assim, sabe,
cachorro morto...?"
Mais
adiante, serpenteando entre os passantes, vem um casal de mais idade, com todas
as parafernálias dos que combinam exercícios com exibição - boné, marcador de
pressão nos braços, celular, óculos escuros, etc - e escuto a bufante frase reveladora:
"Acho que esse não é o melhor horário..."
Três
senhoras, uma delas tendo no colo uma coisa peluda que presumi ser um cão,
estão em animada conversa. Passo e escuto: "Pois é o que lhe digo: ele sempre foi
raparigueiro!"
Dou
meia volta e resolvo entrar no shopping (sim,
desinformado leitor, temos um lindo shopping com o "pé na areia")
em busca de um top sundae.
Péssima ideia.
Hoje
é dia das crianças e os amorosos papais e mamães estão todos lá contribuindo
para a horrível crise que assola nosso pobre país.
A
fila do sundae está quilométrica, as adoráveis esperanças da nação gritam como
se (quem dera) estivessem em azeite
fervente e me resta retornar à base.
Odeio
datas.
sábado, 10 de outubro de 2015
SOMOS VIPS!
O
vídeo abaixo mostra OVNI's inspecionando o Popocatepelt - uma celebridade no
mundo dos vulcões.
Segundo
os ufologistas isso é a prova concreta de que alienígenas estão monitorando as
atividades geológicas da Terra.
Então, quer dizer: somos
um micro-nano-milionésimo substrato
de pó de merda no universo mas, é só soltarmos um peidinho
que os aliens correm pra cheirar!
de pó de merda no universo mas, é só soltarmos um peidinho
que os aliens correm pra cheirar!
(Nóis
é foda, hein?)
PIADINHA IDIOTA
Para
ver a reação do marido, uma mulher escreveu um bilhete:
"Fui e não volto
mais."
Escondeu-se
debaixo da cama e esperou que o marido chegasse.
Ele
entrou no quarto, viu o papel, escreveu qualquer coisa e desandou a cantar, todo
satisfeito.
Pegou o celular e ligou: -Amor, a doida foi embora. Estou indo praí agora!
Entrou
no carro e saiu.
Louca
de raiva, a mulher sai debaixo da cama, pega o papel e lê o que ele escreveu:
"Seus
pés ficaram de fora. Fui comprar pão.
Deixa de ser besta e prepara o jantar."
quinta-feira, 8 de outubro de 2015
VACINA
"Cientistas da
NASA, após muitos anos de pesquisas, apresentaram na semana passada os
resultados de seus anos de esforços: a vacina da ética. Ela deverá ser
inoculada no feto e fará com que o indivíduo decorrente seja sempre guiado
pelos princípios nobres da raça humana."
Obs.: segundo o dicionário, "Indivíduo"
é um substantivo sobrecomum masculino, apresentando um só gênero para indicar o
masculino e o feminino.
É
claro que essa notícia é cascata. Mas, já pensou?
Aos
otimistas vou logo avisando: na minha
humilde opinião não daria certo.
Já
imaginou que chatura seria um mundo sem mídia, redes sociais, políticos, juízes,
dirigentes de federações de futebol, sem a FIFA, a CBF, as a$$ociações de
cla$$e e, mais importante, sem eu e você, indignado leitor?
Tá
bom: você, ilibado leitor, já está nesse mundo sem precisar de vacina mas... Eu
não.
Não
posso negar.
Só
como exemplo, tive hoje uma longa conversa com meu escritório de contabilidade
onde contemplamos as inúmeras possibilidades - todas amparadas por artifícios legais - de burlar o fisco.
Na
hora do almoço estacionei em local proibido pra pegar - rapidinho - uma
encomenda no correio.
Agora
à noite assisti um jogador do meu time cair no gramado em pré-coma e levantar,
lépido e fagueiro, após o juiz marcar a falta inexistente. E aplaudi.
Serei
eu, como dizem os cientistas sociais, um "produto do meio"?
Infelizmente,
tenho que concordar.
O
que não me impede de seguir lutando, bravamente, contra essa deformidade.
quarta-feira, 7 de outubro de 2015
ÁCHQUÍÍÍ...
Amanhã
começam as eliminatórias para a Copa de 1970.
A
nação, ligadona nas importâncias fundamentais, está dividida entre os que
acreditam, os que desconfiam, os 'pachecos' (ou
o equivalente deles), os que torcem contra, os que tentam torcer contra mas
não conseguem e os indefectíveis analistas.
(Até
hoje os cientistas estão tentando decifrar um enigma paralelo ao do ovo e da
galinha: "Quantos nanomicrossegundos foram transcorridos entre o nascer do
futebol e o surgimento dos analistas?")
Reparou,
leitor ligadão, que estou falando das eliminatórias para a Copa de 70
(setenta)?
Em
qualquer boteco, esquina ou fila, discussões ocorriam sobre a ausência do
Dirceu Lopes, Ademir da Guia e vários outros.
(Como convinha ao exuberante futebol da época.)
Pois
bem. Amanhã começam as eliminatórias para a Copa de 2018 (com essa marquinha 'miserável' aí na foto).
A
nação está cagando, andando e os poucos admiradores do futebol que restam não conseguem, nem de longe, escalar de cabeça o esquadrão
canarinho. ("esquadrão
canarinho" é de matar, né não?)
O
que não é demérito uma vez que, em nossos times do coração, os ídolos estão durando - em média - uma temporada. Ou meia.
O que dificulta a memorização dos velhos (só nós?) torcedores.
O que dificulta a memorização dos velhos (só nós?) torcedores.
Que
tempos vivemos!
A
culpa é da Dilma, é claro.
E, mais uma vez, 'recomeeindo' o "Futebol ao Sol e à Sombra" do Eduardo
Galeano. Além de ser um cronograma da história contemporânea, é leitura obrigatória para aqueles, poucos pelo visto, que ainda apreciam
o rude esporte bretão. ("rude
esporte bretão" é de matar, né não?)
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DIZER O QUÊ?
"Só a Cabecinha".
(Pelo visto ele não leva ao pé da letra o que compõe...)
Leia mais: http://extra.globo.com/famosos/mr-catra-fala-do-nascimento-do-32-filho-diz-que-nao-vai-parar-critica-tem-pai-que-nao-paga-pensao-vai-preso-17694611.html#ixzz3nunhTmQq
Segue a notícia:
A família de Mr. Catra aumentou ainda mais. Pai agora de 32 filhos — o caçulinha, Isac, nasceu na última
sexta-feira, no Rio, com 3,850 kg e 53cm — o funkeiro, de 46 anos, afirma que
não vai parar por aí.
“Eu fechar a fábrica? Nunca!
Ainda tem muito filho aqui”, disse o funkeiro, em conversa com o EXTRA nesta
segunda-feira. “Tem gente que compra carros caríssimos, outro aviões, e outros
bolsas caras. Nada disso tem amor por você! Filho é pra sempre”, explica ele,
que é pai biológico de 31 e vive com três mulheres atualmente.
Feliz da vida com o novo bebê,
fruto do relacionamento com Carla, que mora fora do Rio, Catra conta que, assim
como os outros herdeiros e as outras mulheres, a criança e a mãe vão viver com
ele, em sua casa.
“Ele vai ficar na minha casa, com
a mãe do lado! O filho tem que estar sempre ao lado da mãe. Nada nem ninguém
pode dar tanto amor para um filho como uma mãe”, diz.
Para sustentar toda a família,
Catra faz cerca de 60 shows por mês e chega a cobrar um cachê que vai de R$ 30
a 120 mil.
“Eu sustento todos os meus filhos
e trabalho 24 horas, se possível. Conheço vários aí que têm um e estão quase
presos por não pagar pensão!”, critica ele. “Meus filhos são minha vida. Faço
de tudo pra dar o melhor pra eles”, garante.
Leia mais: http://extra.globo.com/famosos/mr-catra-fala-do-nascimento-do-32-filho-diz-que-nao-vai-parar-critica-tem-pai-que-nao-paga-pensao-vai-preso-17694611.html#ixzz3nunhTmQq
domingo, 4 de outubro de 2015
CORAÇÃO TRANQUILO
Muito lá no
século passado a mãe da minha filha mais velha, na época mal acompanhada pelo
locutor que vos fala, propôs:
-Vamos ver
esse Walter Franco? Vai ser no Teresa Raquel, do outro lado da rua.
-"Cabeça irmão"...?
-É. Mas
deve ser legal.
Atravessamos
a rua e entramos no teatro junto com mais 12 (doUze) desconfiados cúmplices.
Resumo: o
cara era ótimo, a banda era ótima, as músicas eram doidera total só superada
pela doidera estampada nas faces dos artistas. Que se
apresentaram como se o teatro estivesse lotado.
(Não que eles estivessem preocupados com essas ocorrências de menor
importância.)
Os aplausos
no final do show soam até hoje nos meus ouvidos como uma ameaço de chuva que
não cai.
Mas, o que
nunca mais saiu dos meus ouvidos foi o que escutei.
Ponha-se,
saudosista leitor contemporâneo, entre 25 e 30 anos de idade e assista ao
primeiro vídeo. (Cujo, se bobear, pode
até ter sido gravado no Teresa Raquel.)
Depois
assista ao segundo. (Que foi gravado em
abril de 2015 no CCSP.)
Tomara que
você sinta o mesmo que eu:
1. Um
tremendo orgulho de ter visto, há quase quarenta anos, esse garoto cantando
essa música-mantra.
2. Um
tremendo prazer de ver esse cidadão, hoje, despertando a mesma empolgação de
antanho ("antanho" é ótimo, né
não?) e com muito mais gente ao redor.
3. Uma
recorrente questão: Como é que esses caras conseguem passar tantos anos
cantando as mesmas músicas? (Vide Rolling
Stones, David Gylmour e tantos outros.)
É que, pela
cara deles, deve ser muuito bom.
quinta-feira, 1 de outubro de 2015
SERÃO ETERNOS OS CORONÉIS?
Tinha
prometido a mim mesmo que não falaria mais de política.
Mas, como adepto
fervoroso do direito de mudar de opinião,
vamos lá.
vamos lá.
Para
minha tristeza, o PT foi pro saco, a esquerda está nas cordas e a direita (risos) está voando de helicóptero nas
contas suíças e sabe-se lá mais onde.
Para
minha tristeza maior, o judiciário (risos)
abriga figuras que deveriam estar sendo julgadas e não julgando.
Para
minha tristeza incalculável, o jornalismo também foi pro saco.
A
grande mídia se confirma como uma instituição voltada exclusivamente para seus
intere$$ses; enquanto alimenta esse ridículo FlaXFlu entre governo e oposição (risos), continua firme a perpetuar seus
ganhos estratosféricos.
A
mídia dita alternativa tenta jogar o jogo, devolve as caneladas mas, no calor
da pugna, volta e meia comete lamentáveis pecados jornalísticos.
Para
minha decepção, vejo a maioria dos meus amigos participando
- como se estivessem numa "Ôla" - desse jogo em que ninguém vai sair ganhando.
- como se estivessem numa "Ôla" - desse jogo em que ninguém vai sair ganhando.
Para
meu espanto, constato diariamente - através de conversas com representantes das
mais diferentes camadas sociais - que a maioria não está nem aí para a
política.
Estão
preocupados com coisas mais importantes. Desde o boteco a ser visitado na
sexta-feira, o dólar para a viagem pra maiâmi e o preço do crédito do celular.
E
aí dou de cara com duas frases definitivas do Ricardo Kotscho:
"Somos
todos responsáveis por esta situação."
"Enquanto
houver eleições, ainda há esperanças."
Tá
mais do que certo o veínho.
É
o único jeito de ficarmos livres dessa corja que habita a política brasileira.
Mas,
para isso é preciso que tenhamos consciência, conhecimento e discernimento na
hora de votar.
E
aí... Que preguiça, né não?
É
mais cômodo embarcar na canoa que mais nos agrada, na "Ôla" mais
aparente do fêicibúqui, do que pesquisar, ler, conversar, conhecer e procurar e
se informar sobre quem realmente merece nosso voto.
Assim
sendo, para minha tristeza completa, eles seguirão eternos.
Ou
não?
terça-feira, 29 de setembro de 2015
EMPODERANDO
Entre as incontáveis bobagens e 'mudernidades' perpetradas pelos nossos analistas de plantão, a da moda agora é o verbinho "empoderar".
Da política ao sexo, qualquer assunto é motivo para o uso do pedante "empoderamento".
E já estou estocando plasil porque está vindo aí o mais do que pedante "edulcorar".
Bleargh!
Da política ao sexo, qualquer assunto é motivo para o uso do pedante "empoderamento".
E já estou estocando plasil porque está vindo aí o mais do que pedante "edulcorar".
Bleargh!
domingo, 27 de setembro de 2015
POESIA NEOLIBERAL?
O
vídeo abaixo foi extraído de "Free to Choose", uma
série americana dos anos 80 estrelada pelo Milton Friedman (1912/2006) - prêmio Nobel de economia em 1976.
Sou,
e pretendo continuar sendo, um absoluto ignorante dos intrincados meandros das ciências (?) econômicas
mas, esse vídeo me deu o que pensar:
Sob
um ângulo, apesar de um certo excesso de "acho
que..." e "me parece
que...", ele me passou a sensação de ser lógico, concatenado e
preocupado com o bem estar da humanidade.
Sob
outro ângulo, me passou a sensação de ser apenas uma poesia bem recitada (e politicamente direcionada) no
clima pseudo soft dos exaustivamente copiados talk shows americanos.
Vai
que é sua, leitor!
sábado, 26 de setembro de 2015
PAPO DREK
Muito
lá no século passado, um grande amigo
(daquele tipo que nem o tempo, as curvas da vida
e a consequente pouca convivência conseguem distanciar) usava essa expressão que era a sentença de morte para
qualquer tentativa de narração ou conversa mais atravessada:
-"Pô, mas que Papo Drek!"
Para minha tristeza, tenho lembrado do Papo Drek em quase todas as vezes que abro o fêicibúqui e me deparo com pratos de comida, frases pseudo inspiratórias e xingatórios do fla-flu político.
Mas, para
minha alegria, por aqui as ocorrências passíveis dessa sentença têm sido muito próximas de zero.
O que é perfeitamente explicável pela incrível novidade que
é, para mim, acostumado aos tortuosos labirintos das conversas mineiras,
a maneira simples e direta desse povo paraibano doidão.
Ou seja, normalmente
a mais corriqueira conversa se transforma em diversão e, várias vezes, em aprendizado
do cultivo da gentileza.
Se
não, vejamos: fila de idosos no supermercado, o locutor que vos fala porta uma
mísera caixa de cervejas atrás de uma caricatural matrona nordestina atarracada,
sem pescoço, com um carrinho abarrotado de compras e uma simpatia
inversamente proporcional a seus atributos físicos.
Na
frente da matrona está um casal de portugueses com dois carrinhos abarrotados.
E
na frente deles, parecendo recém chegado da figuração de um filme de caubói,
está um cidadão de quase dois metros de altura, óculos escuros, chapéu preto, bengala
e luvas pretas. (Juro.)
A
fila não anda.
Todo
mundo quer pagar com cartão e o sistema não está sistemando.
A
matrona vira-se pra mim e começa a conversar.
(Atenção, leitor: as intervenções
'matronais' devem ser lidas com sótáqui).
-Tá
assim a semana toda. E eles não providenciam...
-É...
Chato, né?
-É
só essa cervejinha que o senhor vai levar? Se for pagar com dinheiro dou-lhe
meu lugar.
-Vou
sim, muito obrigado.
-Pois fique
à vontade... Vou sentar no banquinho porque tá demorando mesmo!
Avanço
e apelo para o português que, com a gentileza da raça (ou, quem sabe, adquirida por aqui) também me cede a vez.
O
sistema volta a sistemar, o caubói estratosférico consegue pagar e eu chego à
pole position. A tempo de ouvir da matrona sentadinha:
-O
senhor com esse cabelinho branco tá enganando todo mundo, hein?
-Quêisso,
minha senhora, eu sou bem idoso...
-Pois
num parece, viu? Deus conserve.
-Amém!
E
vou embora com o dia ganho.
CONFLITO DE EMOÇÕES
O
ilustrado leitor certamente já passou por isto: o livro é tão bom que você
começa a dosar a leitura para retardar o final.
É
o que estou fazendo com o "Futebol ao Sol e à Sombra" do Eduardo
Galeano.
Pra
quem ainda não leu (e pra quem já leu se
divertir de novo), segue um capítulo:
Pobre
Mãezinha Querida
No
final dos anos sessenta, o poeta Jorge Henrique Adoum voltou ao Equador, depois
de longa ausência. Nem bem chegou, cumpriu o ritual obrigatório da cidade de
Quito: foi ao estádio, ver jogar o time do Aucas. Era uma partida importante, e
o estádio estava repleto.
Antes
do início, fez-se um minuto de silêncio pela mãe do juiz, morta na véspera.
Todos se levantaram, todos calaram. Em seguida, um dirigente pronunciou um
discurso destacando a atitude do esportista exemplar que ia apitar a partida,
cumprindo com seu dever nas mais tristes circunstâncias. No meio do campo,
cabisbaixo, o homem de preto recebeu o denso aplauso do público.
Adoum
piscou, beliscou um braço: não podia acreditar. Em que país estava? As coisas
tinham mudado muito. Antes, as pessoas só se ocupavam do árbitro para gritar
filho-da-puta.
E
começou a partida. Aos quinze minutos, explodiu o estádio: gol do Aucas. Mas o
árbitro anulou o gol, por impedimento, e imediatamente a multidão recordou a
finada autora de seus dias:
-
Órfão da puta! – rugiram as arquibancadas.
sexta-feira, 25 de setembro de 2015
quinta-feira, 24 de setembro de 2015
"QUEM SABE, SABE!"
Esse era o
mote-referência do saudoso Toninho Carvalho, carioca, um dos pilares do boliche
brasileiro. E foi dele que me
lembrei hoje ao ter a feliz ideia de checar o Rock In Rio.
É que estava no ar o
Hollywood Vampires, cujo nunca tinha ouvido falar. Pra minha surpresa, a
música me pareceu conhecida, o vocalista me pareceu conhecido, o guitarrista
também...
Katzo!
É o Alice Cooper do alto
de seus 67 anos de doidera!
E o Johnny Depp!
What porra is that?
Direto pro google, descubro
que essa banda, formada há pouco, conta ainda com Joe Perry do Aerosmith, mais
um monte de 'famosos quem' e estão estreando hoje, à frente de umas cem mil
pessoas.
Os caras são muito bons,
o Johnny Depp é também e a impressão que me fica é que 90% da plateia - que
delira - está mais ou menos na situação de Robert Redford e Paul Newman naquela
cena antológica da perseguição em Butch Cassidy: "Quem
são esses caras??" Que estão tocando Brown Suggar, Whole Lotta Love,
School's Out e tantas outras velhas de guerra com tanta competência?
(Era só o que faltava:
reminiscências provocadas pelo "Rock In Crise"!)
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quarta-feira, 23 de setembro de 2015
TENTAÍ!
Se não, vejamos - em
ordem alfabética:
Alisson (Inter), Danilo
(Chapecoense), Diego Cavalieri (Fluminense), Fábio (Cruzeiro), Fernando Prass
(Palmeiras), Jefferson (Botafogo), Magrão (Sport), Marcelo Grohe (Grêmio), Paulo
Victor (Flamengo), Renan (Goiás), Vitor (Atlético MG).
Na reserva de luxo, Rogério
Ceni (São Paulo).
E, certamente, entre
os que ainda não vi jogar, deve dar pra formar mais meio time. No mínimo.
E aí eu te pergunto,
escolado leitor:
Você consegue escalar
um time - brasileiro e em atividade - com
11 atacantes tão destacados quanto esse time dos goleiros?
11 atacantes tão destacados quanto esse time dos goleiros?
(Tá
feia a coisa, né não?)
domingo, 20 de setembro de 2015
FLAMÃE
Não satisfeito em botar o Coritiba pra respirar na semana passada,
o Flamengo ressuscita
o galinho.
Pênalti
perdido, gol contra (o quarto), tomou mais dois de cabeça (que já somam dez ou onze),
Guerrero mal, Cirino apagado, Paulinho sozinho e goleada na orelha.
Minha
única alegria é estar longe de BH.
Os
caras lá, quando ganham apertado do Prixoxó do Monte, passam a noite inteira berrando.
Imagina hoje.
sábado, 19 de setembro de 2015
VAI PAULÃO!
Futebol e
propaganda são partes importantes do reduzido (ou vasto?) elenco de coisas que adoro odiar.
É que gosto
muito de ambos e, consequentemente, ver um jogo ruim recheado de comentários no
mínimo assombrosos intercalado por pérolas publicitárias dignas de chibatadas
em praça pública, me faz diminuir a crença na viabilidade do ser humano.
E como
ultimamente ando tentando ficar mais ligado em futebol do que em falcatruas,
crimes, delações, financiamentos de campanhas, refugiados, etc, minhas
oportunidades de amor e ódio se multiplicam.
Assim
sendo, segue uma ótima que pesquei no fêicibúqui:
Se os
Flamenguistas gritam: "VAI MENGÃO!",
os
Corinthianos gritam: "VAI TIMÃO!",
os
Fluminenses gritam: "VAI FLUZÃO!",
os
Palmeirenses gritam: "VAI VERDÃO!",
os vascaínos
sussurram: "vai vascão!"...
Que diabos
os São Paulinos gritam?
Obs.:
Essa bobajada toda foi embalada por Royal Blood.
Essa bobajada toda foi embalada por Royal Blood.
Uma dupla - formada por um baterista doidão (redundância) e um guitarrista/baixista/vocalista - que está no Rock in
Rio.
São, grata surpresa, muito bons!
São, grata surpresa, muito bons!
Mas, para meu desespero, ao final da apresentação (com direito a todos os "I love you Rio!" de praxe), corte direto para os comentaristas de rock!
Agora tem isso também!
Uns caras esquisitões (claro) emitindo profundas considerações tais como: -"Eles jogaram para a galera... Quando estava na guitarra ele aumentou o amplificador do baixo pra dar aquela distorcida..."
É mais ou menos como o apoio decisivo da torcida, recomposição compacta, fazer a diagonal, etc.
Desligo a máquina de fazer doido e vou ler "Futebol ao Sol e à Sombra" do Eduardo Galeano.
(Ainda estou no comecinho, mas já recomeindo!)
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quinta-feira, 17 de setembro de 2015
TAVA INDO TÃO BEM...
Flamengo
0 x 2 Coritiba.
Oswaldo
de Oliveira deve estar se sentindo o próprio Sandoval Quaresma (legendário personagem da Escolinha do
Professor Raimundo).
O
Coritiba não fez nada demais.
Teve as chances, aproveitou e ganhou.
E
o Flamengo, hoje, me fez lembrar a recente época do 'profexô': criatividade
zero, uma infinidade de passes errados, não fez a recomposição compacta e
volumétrica, não fez a diagonal...
Opa!
Me embalei nos famigerados comentaristas.
Ô
vida!
terça-feira, 15 de setembro de 2015
NÓS 'TÃO' FUDIDO!
(Importante: caso o
amável leitor pense que vou falar de Brasil, pode voltar pro fêicibúqui.)
É
que, por absoluta falta de opções, me peguei a torcer pelo rubro negro Oeste
contra o Botafogo em empolgante pugna da série B.
E
como tenho o péssimo hábito de escutar a televisão, em míseros dez minutos de
jogo a vontade de chutar o aparelho (tarefa
difícil uma vez que a máquina de fazer doido está grudada no alto da parede)
provocada pelas mesmices e babaquices do narrador e do comentarista, foi
suplantada pela saudade de um amigo de infância muito mais ranzinza do que eu.
Assim
sendo, liguei para o distante cidadão e comentei minhas irritações sobre o
comentarista - cujo foi nosso contemporâneo de praia fato que,
consequentemente, sempre me deixa numa mistura de raiva e pena.
A
resposta foi definitiva:
"Caríssimo!
(Nós, velhos, às vezes
usamos expressões muito mais velhas do que nós. É uma forma sutil de autoironia,
entende? [Tomara!])
Nós
'tão' fudido! Não dá mais pra aguentar esse padrão plastificado. Pra você ver a
que ponto chegamos, pra mim, hoje só tem um cara que fala alguma coisa que
preste. O Casagrande!
(Concordo.)
E,
passando pro cotidiano, não tá dando mais pra conversar com quase ninguém! Precisamos
tomar todas na Fiora!"
(Concordo muito!)
Obs.: claro que a conversa foi muito além disso.
Mas,
como diz nosso GGM (Grande Guru Moro), "Não
vem ao caso."
ME ENGANA QUE EU GOSTO
Principalmente nos dias de hoje, o excelente artigo de Guilherme Ravache - “Por que somos vítimas
do 'me engana que eu gosto'. E como um chato pode te salvar”, dá o que pensar.
Seguem alguns trechos:
Filtramos as informações de maneira a
selecionar apenas aquelas que confirmam o que acreditamos.
A ciência chama isso de viés de
confirmação (confirmation bias).
Como disse o megainvestidor Warren
Buffett, “O que as pessoas mais sabem
fazer é filtrar novas informações de tal forma que as concepções existentes
permaneçam intactas”.
O viés de confirmação está em todo
lugar.
Um jornalista que usa somente a parte da entrevista que confirma sua
teoria inicial.
O chefe que descarta uma pesquisa por não apoiar a expectativa
inicial.
O diretor que não gosta dos números do relatório e pede para que sejam
reavaliados.
Eleitores que votam novamente em um candidato mesmo diante de
indícios de má administração.
Um relacionamento problemático e que você insiste
em manter se esforçando para ver “o lado bom” do outro.
Aliás, conhecer o viés de confirmação
faz com que o seu viés de confirmação demonstre ainda mais casos para você!
E o pior é que mesmo os
especialistas em viés de confirmação não conseguem evitá-lo, pois fazemos
sem ter consciência de que estamos fazendo.
E como combater o viés de confirmação?
A melhor resposta encontrei no
livro A Arte de Pensar Claramente, de Rolf
Dobelli.
“É melhor ater-se a Charles Darwin,
que, desde a juventude, se preparou para combater de maneira sistemática o viés
de confirmação. Quando as observações de sua teoria se contradiziam, ele as
levava especialmente a sério. Carregava sempre um caderno de apontamentos
consigo e obrigava-se a anotar, dentro de trinta minutos, as observações que
contradissessem sua teoria. Sabia que, após trinta minutos, o cérebro
“esqueceria” ativamente a evidência desconfirmatória. Quanto mais sólida ele estimasse
sua teoria, mais ativa era sua busca por observações contraditórias”
Outra alternativa é manter os
irritantes por perto.
Como disse Voltaire, “o
segredo de ser chato é dizer tudo”.
Mas,
lembre-se: evite os engenheiros de obra pronta, os chatos que dizem “eu te
avisei” ou “deveria ter feito isso ou aquilo”. Prefira os que falam antes.
Portanto, questione-se o tempo todo.
Duvide das métricas. Ouça seus críticos. Anote suas observações e
consulte-as no futuro.
quarta-feira, 9 de setembro de 2015
domingo, 6 de setembro de 2015
VÍRUS!
Acho
que meu celular está com vírus.
Escrevo
Vasco, ele acende a lanterna;
escrevo
Cunha, ele rouba crédito;
escrevo
Lula, aparece o calendário de 2018;
só
falta eu escrever Aécio e ele virar pó...
(Valeu, Djair.)
quarta-feira, 2 de setembro de 2015
FICA POR AQUI, MENGÃO!
O
Flamengo encaçapou o Sport em Recife e o Avaí em Natal.
Chegou
ao nordeste olhando para baixo, está indo embora olhando para cima e o mais importante: jogando bem e sem tomar gol de bola levantada na área.
Agora
é torcer para que a brisa continue soprando.
terça-feira, 1 de setembro de 2015
COISAS DE VELHO
Peraí.
"Coisas de velho" é o
cacete (também é, mas entendam que a intenção
é outra)!
Nós,
os velhos, temos um handicap imbatível: o tempo.
Que permite comparações e
análises entre o que já foi e o que está acontecendo. Assim, teoricamente, temos
mais chances de errar menos.
Me
parece muito provável que quando o primeiro primata colunista social rosnou
para o outro uma fofoca sobre a peludinha da caverna vizinha, a comunicação, desde
então dominada pelos velhos, tenha se voltado para os jovens.
É
a lógica da preservação da espécie: imagina você, desde que se entende por
gente, sendo bombardeado de todos os lados com
"Velho é
Bom! Velho é Tudo!".
Pô!
Considerando a preguiça humana, qualquer um senta nas fichas e espera chegar a
velhice.
Aí a tal da humanidade não progride e vai pro saco.
Então, "Jovem é Bom! Jovem é Tudo!".
(Ok,
mas não precisava exagerar...)
E
esse bla-bla-bla todo me veio ao ligar a "mardita
máquina" e dar de cara com o doodle do google.
Gostei muito!
Da
marca gostei também mas, convenhamos, podia ser até em Comic
Sans que a gente ia se acostumar. Ou, mais
provável, entranhar rapidinho.
O
que, convenhamos de novo, é o nirvana de qualquer marca.
Mas
o doodle tem uma coisa que gosto: o "gracejo" da mãozinha apagando o
último rabisco e consertando o "e"
no final.
Eu
sei que é mais do que manjado mas, quando bem usado, sempre me agrada.
Coisas
de velho.
(Obs.:
o Guardian publicou hoje uma matéria sobre a nova marca que, incrível coincidência,
poderia ser assinada por qualquer publicitário tupiniquim. Ou seja, um
emaranhado de lugares comuns enxertados no release: http://www.theguardian.com/technology/2015/sep/01/google-logo-history-new-doodle-redesign)
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