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sexta-feira, 29 de maio de 2015

O IBOPE AINDA VAI 'KANTAR' DE GALO?


Vendido ao grupo WPP e gerido pela Kantar Media, o Ibope, depois de anos e anos de domínio, se despede melancolicamente do cenário das pesquisas tupiniquins.

E a inglesa Kantar vai pular miudinho tendo que enfrentar a alemã GFK.
O que, teoricamente, pode ser ótimo para o mercado publicitário em geral, mas não esconde a vergonha de precisarmos de ingleses e alemães para, espero, trazer credibilidade às nossas pesquisas.

Fica a pergunta: E agora, Rêdigrôbo?

sábado, 10 de maio de 2014

PROFUNDOS ESTUDOS

 
Aguardo, ansioso, a revelação de pesquisas ou investigações científicas (claro que realizadas por renomados professores de Stanford ou coisa que o valha) que comprovem a influência dos nomes das localidades sobre seus habitantes.

Enquanto tão relevantes estudos não aparecem, vamos imaginar alguns cenários:

Ruas com nomes militares (Rua General Fulano, Avenida Marechal Beltrano), encontráveis em qualquer cidade brasileira, influenciariam seus habitantes a assumir posições bolsonarianas perante os acontecimentos.

Enquanto nomes como Rua Rock Estrela (SP) e Rua das Borboletas Psicodélicas (Jabaquara, SP), certamente transformariam seus moradores em usuários de drogas leves.

Localidades batizadas como Travessa Doce Presença (Iguatemi, SP) e Travessa Na Paz do Seu Sorriso (Jardim da Conquista, SP) acabariam por tornar seus habitantes em ávidos consumidores de cruzeiros marítimos embalados por Roberto Carlos ou horrores afins.

A Travessa Somos Todos Iguais (Iguatemi, SP), conforme comprovação dos estudos, incentivaria seus moradores a produzir camisetas oportunistas a cada notícia de racismo no futebol.

Os moradores das Travessas Deusa do Asfalto (Iguatemi, SP) e Nega Manhosa (Jardim da Conquista, SP) estariam em constante perigo de se transformar em sexopatas.

Por outro lado, os da Rua Amor-Agarradinho (Uberlândia, MG), teriam certa dificuldade em sair de casa.

E os moradores da Rua dos Pensamentos Poéticos (Tiradentes, MG), certamente se perderiam em devaneios inúteis como essa crônica.

domingo, 27 de abril de 2014

ARTE NÃO TEM PÚBLICO

 
Mais uma constatação da pobreza cultural desse país grande e bobo.

Realizada no segundo semestre de 2013, a pesquisa Públicos de Cultura teve como propósito produzir uma ampla investigação sobre os hábitos e práticas culturais do público brasileiro.

2.400 entrevistas, com distribuição geográfica em 139 municípios em área urbana de 25 estados, das cinco regiões que compõem o país (Sudeste, Nordeste, Sul, Norte e Centro-Oeste), estratificada por localização do domicílio (capitais, regiões metropolitanas e interior) e pelo porte dos municípios (divisão em tercis regionais: pequenos, médios e grandes). Coleta dos dados de 31 de agosto a 8 de setembro de 2013.

Síntese -

89% nunca foram a um concerto de ópera ou música clássica em sala de espetáculo e 83% em qualquer outro local.
[Ópera, segundo Onassis, não passa de um bando de chefs italianos gritando receitas uns para os outros, mas, tem muita gente que gosta - e mais gente devia gostar. Em compensação, música clássica devia ser difundida nas escolas.]

75% nunca foram a espetáculos de dança ou balé no teatro.
[Segundo o Millôr, o balé é uma perda de tempo no espaço.
Mas, isso é sacanagem...]

71% nunca estiveram em exposições de pintura, escultura e outras artes em museus ou outros locais e 70% nunca foram a uma exposição de fotografia. [Como solução para esse item, aguardamos, ansiosos, Sebastião Salgado em praça pública - "de grátis".
Pi-ri-go, hein?]

61% nunca assistiu uma peça de teatro em qualquer lugar.
[Mentira. De dois em dois anos, temos os programas eleitorais na TV. Teatro de péssima qualidade com péssimos atores mas...
É teatro!]
57% nunca assistiu uma peça no teatro e a um show de música em sala de espetáculo.

Por outro lado, as únicas atividades cuja maior parte das pessoas pesquisadas afirmou já ter realizado foram:
Assistir a um filme em casa ou outro lugar diferente do cinema (91%), dançar em bailes e baladas (80%), ir ao cinema (78%), ao circo (72%), ler um livro por prazer (69%) [Como se lê um livro sem prazer?], assistir a um show de música em casa ou outro local diferente de casas de espetáculos (69%) e a ida a bibliotecas (58%). [Deve ser assim que se lê um livro sem prazer: indo à biblioteca por obrigação escolar, profissional, por aí.]

Dentre as principais razões citadas para não realizarem as atividades, os motivos se equilibram entre não gostarem de determinadas atividades e não existirem algumas delas na cidade.

Por fim, os principais meios pelos quais os entrevistados se informam sobre as atividades culturais a que costumam ir são as sugestões de amigos, parentes e colegas (41%), a divulgação na mídia (36%) e a internet (25%) [Essas três opções são interligadas: as pessoas se informam através de amigos, parentes, colegas que se informam através da mídia que pauta a internet. Um círculo vicioso.]

A maioria das pessoas entrevistadas afirma gostar de observar os principais elementos culturais e artísticos da cidade, tais como parques (89%), arquitetura em geral (73%), luzes artísticas e decorativas (70%) [Tá vendo? Nossos governantes estão antenados com a cultura. Vide as monstruosidades que são colocadas nas ruas nos finais de ano. Ou seja, bota luzinha que o povo fica feliz e "cultural".], monumentos e estátuas (68%), propaganda e publicidade (54%) [Propaganda é "elemento cultural"? Isso só pode ser brincadeira. Vide post abaixo.] e grafites/murais (49%).

É importante ressaltar que 26% dos entrevistados afirmam que não gostam de exposições artísticas [Aposto que é por causa dos "cult" de ocasião que ficam pavoneando, em voz alta, suas observações decoradas dos cadernos de fim de semana dos Globos e Folhas da vida] e outros 26% que não sabem ou nunca foram a uma.

Dentre os gostos musicais, 40% indicam que o Sertanejo é o estilo favorito [Oh, Céus! Que vergonha!] e a MPB aparece em segundo lugar com 23%. As danças prediletas são o forró, 22%, dança de salão, 11%, e samba também com 11%.

O resultado da pergunta sobre a quantidade de livros lidos nos últimos 6 meses revela a frequência literária do público: 58% dos entrevistados não leram nenhum livro nesse período.

Os temas literários mais procurados são romance ou ficção, seguidos pela bíblia [Duvido. Isso é resposta de quem tem vergonha de dizer que não lê ou dos evangélicos que dizem ler a Bíblia, mas só decoram as passagens que interessam e, depois, umedecem o santo livro no sovaco.] e por livros de cunho religioso e espiritualista.

No que concerne à TV, 62% afirmam assistir apenas aos canais abertos e 28% tanto a TV aberta quanto a por assinatura.
Os principais produtos culturais vistos na TV são as novelas (54%), filmes (52%) e os jornais de notícias (44%). [Faltou o Faustão!]

Mais de oito em cada dez pesquisados possuem telefone celular, mas ainda é baixa a proporção de pessoas que o utilizam para outras finalidades que não a de fazer e receber ligações como comunicar-se por SMS (34%), fotografar/filmar (17%), usar internet (17%), ouvir música (16%), conectar-se às redes sociais (12%) [De setembro 2013 para cá, com certeza esse percentual já aumentou.] e jogar (8%).

sexta-feira, 4 de abril de 2014

UMA COISA É UMA COISA...

 
Uma coisa é pesquisa de voto outra coisa é pesquisa de satisfação.

Só os muito grosseiros ou os muito capazes, manipulam os resultados de uma pesquisa.
A grande jogada é manipular as perguntas.
Então, ao contemplar os recentes questionários do Datafolha, já vemos certos, digamos assim, desvios de comportamento.

Me parece claro que, numa pesquisa eleitoral, ao entupirmos o entrevistado de perguntas sobre a conjuntura atual, no estilo “o que você pensa sobre a saúde pública, a segurança, a corrupção” etc, para só depois perguntar em quem votaria na próxima eleição, isso conduz a resposta.

Interessante é o que Mauro Paulino, diretor do Datafolha, dizia em 2010: “A introdução de outros assuntos antes da pergunta central do levantamento pode influenciar a resposta dos entrevistados.”

sábado, 15 de março de 2014

MÍDIA? QUE MÍDIA?

A SECOM divulgou, no início do mês, a “Pesquisa Brasileira de Mídia 2014 – Hábitos de Consumo de Mídia pela População Brasileira”.
Deformado profissional que sou, não resisti a uma olhada mais de perto.

Seguem algumas observações que, certamente, servirão para embalar o sono do antenado leitor.

TV
97% dos entrevistados assiste televisão. Destes, 65% assistem todos os dias.
67% assistem somente a TV aberta, 7% assistem somente a TV paga e 24% assistem ambas.

Jornal Nacional (35%), Novela “Amor a Vida” (32%) e Jornal da Record (13%) são os programas mais assistidos de 2ª. a 6ª. feira.
Faustão (22%) e Fantástico (21%) dominam o fim de semana. Destaque para o terceiro colocado: “Jogos de futebol sem especificar emissora” com 15,5%.

Faustão, Fantástico e novela! E ainda perguntam porque o país está do jeito que está!

Confiança: confia sempre (18%) ou muitas vezes (31%) no noticiário da TV – total: 49%. E outros 49%, poucas vezes (41%) ou nunca (8%).

A faixa etária 36/45 anos, com 52%, é a que mais confia enquanto a faixa de +65, com 45%, é a que menos confia.
O segmento com renda familiar acima de 5 salários mínimos é a que mais confia na TV: 53%.
E o segmento de escolaridade superior apresenta 52% de confiança no noticiário da TV.

Ou seja, ao contrário do que eu imaginava, homens e mulheres entre 36 e 45 anos, com renda familiar no topo e escolaridade superior formam o exército de “simpsons” que o Bonner tanto preza.

Rádio
60% da população (120 milhões de brasileiros) ouve rádio por aproximadamente 3 horas ao dia.
Destaque para os estados de Goiás e Rio de Janeiro que apresentam médias acima de 4 horas/dia.
Na média, as mulheres escutam cerca de 15 minutos a mais do que os homens.

As mais citadas são O Dia FM (RJ), Beat 98 Fm (RJ) e Band FM (SP).

18% confia sempre nas notícias que ouve no rádio, 32% confia muitas vezes, 41% poucas vezes e 8% nunca confia.

Interessante: a audiência de rádio é extremamente fragmentada. Para dar uma ideia, a mais citada na pesquisa tem 1,5%.
Das 12 emissoras mais citadas, 10 são musicais (se é que podemos chamar de música manifestações como funk, axé e afins).
As duas com programações variadas são a Globo AM do Rio e a Globo AM de São Paulo com 0,9% e 0,7% de citações.
Então, que notícias são essas que as pessoas confiam, confiam um pouco, etc?

Jornal
75% da população (150 milhões de brasileiros) não jornal.
Dos 50 milhões que lêem (ao menos uma vez por semana), 33% do total de leitores costuma ler as notícias da cidade, 25% prefere esportes e 7% política.

19% confia sempre nas notícias impressas, 34% confia muitas vezes, 39% confia poucas vezes e 6% nunca confia.
Em números absolutos: 9,5 milhões de brasileiros confiam no que os jornais apresentam.

Estão incluídos aí, todos os jornais e não apenas os “jornalões”.
Aliás, a audiência dos jornais também é interessante: os três jornais mais lidos no país são, respectivamente: Extra (RJ) com 7,1%, Super Notícias (MG) com 5,5% e Meia Hora (RJ) com 4,5%, somando 17,1%. Em números absolutos, 8,55 milhões de leitores.

Dos jornalões, o Globo aparece em 4º. lugar, a Folha em 10º., o Estado de Minas (!) em 13º e o Estadão em 19º. Juntos, eles somam 9% dos leitores de jornais = 4,5 milhões de leitores.

Ou seja, todo esse berreiro que situação e oposição aprontam em torno dos jornalões fica parecendo briga de garotos no pátio da escola.

Revista
85% da população (170 milhões de brasileiros) não revista.
Os 30 milhões que lêem, (ao menos uma vez por semana), o fazem durante, em média, 1 hora.

A Veja tem 7,65 milhões de leitores, a Época 2,28 milhões e a Isto É chega a 1,74 milhões, somando 11,67 milhões de leitores.

Caras, Contigo e Tititi somam 5,52 milhões de leitores.

11% confia sempre nas notícias das revistas, 29% confia muitas vezes, 46% confia poucas vezes e 10% nunca confia.
Em números absolutos, 3,3 milhões de leitores confiam no que as revistas apresentam.

Ou seja, deixa a Veja falar. Ela está igual a disco voador – chata e ninguém acredita nela.

Internet
53% da população (106 milhões de brasileiros) não acessa a internet.
Dos 94 milhões que acessam, 26% (24,4 milhões) o fazem todos os dias por cerca de 3 horas e meia ao dia.

O Facebook é o mais citado de 2ª. a 6ª. feira com 63,6%, subindo para 67,1% nos finais de semana. É seguido por Globo.com, G1, Yahoo e Youtube.

O Facebook mantem impressionantes 30,8% de citações nas preferências de sites de informação seguido de longe pelo Globo.com (6,8%) e G1 (5,0%).

Considerando os percentuais apresentados pelo Facebook, não sei se esse dado é uma piada ou é algo apavorante...

47% tem acesso em casa, 84% acessam por computador e 40% por celular. Desses que acessam por celular, a ordem é decrescente na faixa etária: como podemos comprovar pela simples observação, quanto mais jovem, mais usa o celular. 55% na faixa de 16/25, caindo gradativamente até chegar aos 13% na faixa com mais de 65.

7% confia sempre nos sites de notícias, 21% confia muitas vezes, 53% confia poucas vezes e 16% não confia nunca.

Como na televisão, a faixa etária 36/45 é a que mais confia (30%), a faixa com renda familiar acima de 5 salários mínimos tem 31% dos que confiam e a escolaridade superior aparece com 34% de confiança nas notícias veiculadas na internet.

A confiança nas notícias veiculadas pelos blogs também é pequena: 22% confia sempre ou muitas vezes e 73% confiam poucas vezes ou nunca.

Assim sendo, fiel leitor, parabéns por ter chegado até aqui e bons sonhos.

terça-feira, 27 de novembro de 2012

PESQUISA

Entra em campo o sofisticadíssimo DataHaja para saber dos milhares e milhares de leitores desse blog suas valiosas opiniões sobre:

Situação 1 -
Um cidadão bonitão vem caminhando pela rua e para na frente de uma vitrine de lingeries. Passa uma mulher e, vendo a cena, pensa:

a) Que pena, tão bonito e boiola.
b) Que pena, deve estar escolhendo pra mulher dele...
c) Hmmm... Vou aproveitar pra chegar junto.
d) NRA (Nesse caso, qual seria o pensamento?)

Situação 2 -
Uma cidadã bonitona vem caminhando pela rua e para na frente de uma vitrine de shorts e cuecas. Passa um homem e, vendo a cena, pensa:

a) Tão gostosa e sapata.
b) Deve estar escolhendo pro sortudo dela...
c) Hmmm... Vou aproveitar e chegar junto.
d) NRA (Nesse caso, qual seria o pensamento?)

Após a intrincada tabulação de tão fundamental pesquisa, o DataHaja divulgará os resultados estratificados por sexo e faixa etária.
Divirtam-me!

quinta-feira, 23 de julho de 2009

TESTE SUA CULTURA INÚTIL

Enquete nova aí do lado: "Quem é Percival Ulysses Cox?"
Você sabe a resposta correta? Então participe e encha o saco do seu vizinho ignorante.
Não sabe a resposta correta? Então chuta qualquer uma e encha o saco do seu vizinho nerd.
(Alguém ainda usa conhecer o vizinho...? Taí um bom tema para a próxima enquete.)