domingo, 6 de dezembro de 2009

HEXA CAMPEÃO!!!

Para qualquer um, a camisa vale tanto quanto uma gravata.
Não para o Flamengo. Para o Flamengo a camisa é tudo.
Já tem acontecido várias vezes o seguinte:- quando o
time não dá nada a camisa é içada, desfraldada, por invisíveis mãos.
Adversários, juízes, bandeirinhas, tremem, então, intimidados, acovardados, batidos.
Há de chegar talvez o dia em que o Flamengo
não precisará de jogadores, nem de técnicos, nem de nada. Bastará à camisa, aberta no arco.
E diante do furor impotente do adversário, a camisa rubro-negra será uma bastilha inexpugnável.
Nelson Rodrigues
obs.: o Adriano pode colocar na sua biografia que jogou com o Petkovic.

É SOFRIDO MESMO!

15 minutos do primeiro tempo, Flamengo tímido, parece que o Grêmio é que está lutando pelo título.
Empate e continua a mesma agonia.

sábado, 5 de dezembro de 2009

TÁBACÔNA

(Em carioquês, a expressão “tá bacana” significa algo entre “-Não sei não, mas vida que segue...” e “-Tudo bem, não se fala mais nisso.”)

Ela falava assim, fazendo biquinho, -Tábacôna!

Típica representante da fauna (e flora) do Rio de Janeiro, Christina (assim, com agá complicativo mesmo, a mãe dela achava chique) misturava a agressividade intrínseca da malandragem carioca com a doçura de mulher bem resolvida, conhecedora e exímia administradora de seus dotes de sedução. Capaz de sacrificar seu lazer - e muito mais - para ajudar qualquer pessoa necessitada, era também capaz de incompreensíveis rasgos de avareza. Em resumo, um ser humano como qualquer outro, com o agravante de ser mulher: inexplicável, incoerente, eterna adolescente, enfim, uma delícia de criatura.

Advogada, boa situação financeira, beirando os quarenta, separada, natureba-pero-no-mucho (como manda o figurino), ia levando suas pauladas e dando outras tantas, conhecendo o mundo e seus habitantes, de forma leve e sem maiores preocupações. Sentia-se bem, as coisas aconteciam a seu redor exatamente da forma que ela determinava. Até que o destino deu-lhe uma pernada (ou “uma banda”, em carioquês).

O primeiro casamento não destruíra o efeito de anos e anos de lavagem cerebral que Sabrina, Julia e outros horrores no gênero haviam desenvolvido - um sonho inconfessável até diante do espelho: um dia, o príncipe iria chegar. Não um reles príncipe. Mas, Ô Príncipe! Aquele que traria sentido total à sua existência. Aquele que seria gentil, educado, companheiro, afável, bem humorado, dono de infinita paciência e compreensão, jeitoso para pequenos consertos domésticos, cozinheiro de mão cheia e, na cama, um monstro libidinoso! E ela não estava na caça. Fazia parte de sua estrutura a completa falta de planejamento para tudo: -Assim não crio expectativas e não me decepciono, dizia com um ar de superioridade que contrastava com sua inteligência.

Ronaldo, que atendia pelo suburbano codinome Rôni, fez tudo certo. Foi devagar, aplicando pequenos golpes sedutores como cartões espertinhos enviados nas manhãs seguintes a encontros gostosos, se mostrando sensível e atencioso, ou seja, utilizando toda a parafernália indispensável para uma conquista mais trabalhosa. Sim, porque hoje é preciso ter cada vez mais cuidados e atenções a inúmeros detalhes ao lidar com o sexo feminino - culpa da mídia... E Rôni sabia bem disso. Caprichava na aparência, escolhia os assuntos de modo a parecer sempre bem informado e atento às coisas de interesse dela, fazia o tipo rude-com-sensibilidade-a-ser-descoberta. O que provocava em Christina paroxismos de prazer. Dentro e fora da cama.

Rôni era chofer de táxi. Não dessa safra de profissionais liberais, que, por força do desemprego, estão encarando o nobre ofício de transportar a classe média. Era chofer de táxi porque foi o que lhe sobrou. Vagabundo, porém charmoso e inteligente, logo cedo descobriu sua vocação: viver às custas de senhorinhas carentes. Um requintado cafajeste.
Através de um amigo que trabalhava em uma administradora de cartões de crédito, Rôni levantava a ficha das madames a serem desbastadas de suas economias em troca de algumas semanas de paixão avassaladora. Depois de cercar a casa da Christina por algum tempo, finalmente ela embarcou no táxi. Daí pra frente, tudo seguiu o caminho normal. Dono de uma aguçada presença de espírito, ele fisgava sem dó nem piedade.

Christina tirava de letra a diferença de classe social. Ainda mais depois que lera, num desses famigerados cadernos femininos que se repetem nos jornais semana após semana, uma reportagem sobre mulheres psicólogas, arquitetas, etc, que viviam com seus rudes e maravilhosos pedreiros, jardineiros, etc. Dava até status. -Olha como estou adestrando o meu animal de estimação... E na cama, minina, nem te conto!

Levou o Rôni para meditação transcendental, iôga, ele começou a tomar florais para diminuir o stress do trânsito, já estava acertando quase todos os plurais e concordâncias. Avanço importante pois, para ele, até noventa e nove era no singular: -“É só trinta real, meu camarada!”
Foram assistir Pão e Tulipas e, depois de todas as explicações e interpretações da Chris, ele entendeu e gostou. Começou a freqüentar a rodinha de amigos dela e (contra seus princípios) até participou de um agoniante almoço familiar dominical.

Foi depois desse almoço. Era uma tarde chuvosa, dessas que praticamente empurram os amantes para a cama. Após um caprichadíssimo embate amoroso, cigarrinho na mão, a outra mão acariciando um seio, ele lançou a isca: um suspiro profundo e o olhar perdido no teto. O calhorda sabia tudo.
Em menos de um segundo, ela já estava de bruços, olho no olho: -O que está te preocupando, meu bem? -Nada não. -Pôxa, será que você não confia mais em mim? -Claro que eu confio. É que pintou uma oportunidade para trocar o carro e eu só tenho até terça-feira pra bater o martelo.
-Como assim? -Você sabe que estou precisando de um carro mais novo e surgiu essa oportunidade. Só que tenho que depositar até terça e o dinheiro que tenho aplicado só posso retirar no fim do mês... -E quanto é, meu bem? -Vinte e cinco. É um grande negócio, o carro vale trinta e cinco mas o sujeito está apertado. Bom, deixa pra lá. Vou dar um jeito. -Se você está precisando posso te emprestar até o fim do mês... -Que isso Chrisinha... Eu me viro. Além do mais, se eu não conseguir, outra oportunidade vai aparecer. Não preocupa não. -Deixa de ser bobo. Outra dessa não pinta tão cedo e você está mesmo precisando trocar esse carro. Amanhã eu deposito pra você.
Depositou.

E aí aconteceu o imponderável. Cheque compensado, dinheiro na conta, estratégia de sumiço armada, o Rôni vacilou. Pôxa, ela é tão legal! Pela primeira vez ele tinha sido gostado sem explicações ou necessidade de fingimento. Chris, ao contrário das outras, nunca havia escondido nada de ninguém. Ele era aceito pelos amigos e pela família - tudo bem que havia sempre os comentários e risadinhas que ele percebia, mas não o abalavam. O que estava abalando era a Chris.
Sumiu três dias. Na sexta-feira apareceu. -Tive que viajar. -Fiquei preocupada. Não faz mais assim. -Me desculpa, não faço mais não. Olha, toma pra você. -Quê isso? -Seu dinheiro. O cara melou o negócio...

Christina hoje é diretora jurídica de uma multinacional, Rôni largou o táxi, está estudando espanhol e virou “house-keeper”. Às vezes, nas madrugadas insones, lembra com uma ponta de saudades, as armações do passado. Aí, olha pra Chris dormindo a seu lado e suspira: -Tábacôna...

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Babaquice Americana


Chef faz réplica da Casa Branca com chocolate branco.
Réplica foi mostrada na quarta-feira pelo Chef Bill Yosses.
Projeto conta com miniatura de ‘Bo’, o cão da família Obama.

Duas perguntinhas:
1. Quem vai comer essa “obra”?
2. Mesmo sendo branca a casa, considerando o atual ocupante, o chocolate devia ser outro, né não?

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

QUASE-QUASE?


Depois de ser quase campeão da sul-americana e, tomara, no domingo que vem, quase evitar o rebaixamento, o Fluminense vai procurar um novo endereço.
Sai das Laranjeiras e muda para a Rua Bulhões de Carvalho...

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

CARTOONS (e Cartunistas) INESQUECÍVEIS - 4

O problema com o Veríssimo (e vários outros) é que fica muito difícil escolher um só.
Então, vai esse. Tentando resumir um pouco do que foram "As Cobras".

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

CELEBRITIES - 1 de Dezembro


Hoje é aniversário de algumas celebridades mundiais que têm a subida honra de estar em companhia da minha celebridade mais importante.

(Caso eu sobreviva à essa revelação, amanhã estou de volta...)

A CULPA É DO ESTRADIOL

Uma das verdades imutáveis do comportamento humano apregoa que: qualquer mulher quando acompanhada pelo sexo oposto - namorado, marido, amante ou simples amigo - que dá mole pra outro é vagaba. Sem anestesia.

Agora vem uma pesquisa realizada por cientistas da Universidade do Texas afirmar que "aquelas com alto nível de hormônio estradiol têm mais tendência a flertar, beijar e ter um affair com outro homem fora de seu relacionamento atual."
Arrã...

domingo, 29 de novembro de 2009

QUE LULA, QUE OBAMA, ESSE É O CARA!!!


LÍDER!
O cidadão ANDRADE prova, mais uma vez, que sabe tudo de futebol!!!

sábado, 28 de novembro de 2009

SOZINHO


Rosivaldo tinha todos os problemas que todos temos e mais um: o nome. Talvez por isso, tenha sido sempre bem sucedido. Afinal, quem carrega um rosivaldo ou se torna vitorioso ou fracassa logo de cara. O nosso Rosivaldo era do time dos vitoriosos. Mas, como ninguém é rosivaldo impunemente, suas idiossincrasias também eram fortes. A mais recente e interessante era a mania de querer ficar sozinho. Não era simples. Rosivaldo almejava a solidão total, real, absoluta. No boteco com os amigos, num belo e alcoólico fim de tarde, inadvertidamente soltou na mesa seu atual desejo mais secreto.
-Eu queria mesmo era ficar sozinho.
-Pô, Rosivaldo, que história é essa, a companhia não tá agradando?
-Não é isso, é que eu queria ficar com-ple-ta-men-te sozinho.
-Mas cara, você mora sozinho!
-Mas nunca fico sozinho.
-Êêê, olha só o rei das desamparadas!
-Não é nada disso, estou falando de ficar realmente sozinho!
-Então vai pro Saara e não chateia! (Feito pelo Lemos, este último e infeliz comentário embutia uma bronca antiga. Na verdade, era inveja o que o Lemos nutria, pois o Rosivaldo de ruim só tinha o nome. De resto, gostava dos amigos, era bonitão, fazia sucesso com as “desamparadas” de todos os tipos, tinha dinheiro e aproveitava, com a sabedoria dos que passaram de quarenta e tal, o dinheiro que tinha.)

E ele não deixou passar: -Pô, vai dizer que vocês não têm desejos complicados? Você não, Lemos. Eu sei que seu sonho é brochar gloriosamente numa orgia com seis mulheres e um poodle histérico...
Gargalhadas, gritaria, Dá mais chooopp, Esse Rosivaldo...! O Lemos fechou a cara, mas não podendo manter a carranca com as risadas gerais, fez de bobo.

Instado a melhor se explicar, Rosivaldo bem que tentou:
-Sozinho, mas sozinho mesmo! Sem ninguém pra me escutar, me ver, nada. Só por um tempo, pra ver como é que acontece.
-Mas, sério, na sua casa você não fica sozinho?
-De jeito nenhum. Tem zoeira, telefone, tem vizinho, tem gente que me olha pela janela, não há como ficar sozinho em casa.
-Então vai pra uma montanha!
-Não funciona, você escolhe a trilha mais difícil, chega cansadão lá em cima e, é fatal, vai encontrar um monte de eco-chatos pentelhando a sua vida e a natureza em geral.
-Praia deserta?
-Não existe praia deserta, sempre tem uma galerinha que aparece ou pelada ou fumando bagulho ou os dois.
-Pô, é difícil mesmo...
-Tô falando...

Surubim, que tinha esse apelido não por possuir qualquer dom de pescador, mas por sua discreta predileção por festinhas adolescentes, sugeriu uma ilha.
-Ainda existem ilhas desertas.
-Éééé, ilha é uma boa, RosivaldÔ!
-Já tentei. Aluguei um barco e fui pro sul da Bahia. Cheguei na ilha indicada e, além de muita sujeira e um mau-cheiro do cão, em quinze minutos apareceu um pescador perguntando se “meu rei” não queria um peixinho na brasa arretado. É muito complicado...

A galera estava levando a sério as intenções solitárias do Rosivaldo e, embalados por quantidades industriais de chopp e batatinhas, o papo seguia sem pé nem cabeça como convém a uma boa conversa de botequim.
O Lemos, tentando ser sutil, sugeriu turismo interplanetário. Não era o dia dele.

Quietinho desde cedo, Tadeu compareceu: -Vai pra Brasília, pega um helicóptero e voa baixo pra dentro do planalto. Fica de olho, vai controlando. Umas duas horas depois que passar a última pedra pichada de Casas Pernambucanas, você manda parar. Desce, o helicóptero vai embora e pronto: você tá fudido, mas sozinhão!
Aplausos, bateção de copos na mesa, É-IssaÍ, êêÊÊ, Dá-lhe Tadeu! Rosivaldo riu junto, a conversa se desdobrou pelas questões fundamentais próprias das sextas-feiras e seguiu a vida.

Quinze dias depois, no mesmo boteco, todos se encontram novamente e, claro, ninguém se lembra muito assim como direi lá que bem do que rolou no último encontro.
Chega o Rosivaldo, com cara enigmática, e senta. Calado.
Em meio a bobajada de sempre, um, mais sóbrio, levanta a bola:
-E aí Rosivaldo, que cara é essa? -Já conseguiu ficar sozinho?
-É meeesmo! -Diga lá, Rôsi!
Solene, Rosivaldo declara: -Meus amigos, após profundas pesquisas - nas quais vocês foram importantíssimos - concluí que nenhum ser humano pode ficar sozinho porque estamos sempre agregados às nossas múltiplas e inerentes facetas. Aproveito também pra comunicar que estou de partida para Biahraein, no leste da Índia, onde irei buscar e desenvolver meu eu interior a partir da revelação divina de Shivanbagaswidra.
-Ssshhivan-ô-quê???
-Um guru que fiquei conhecendo num seminário alternativo lá em Santa Teresa.

Dois meses depois no boteco, -Quedê o Rosivaldo?
-Recebi um e-mail dele.
Triunfante com a exclusividade, Surubim saca do papel e lê:
“Galera, Biah-sei-lá-o-quê foi porreta. Agora estou em Paris aprofundando minha busca com uma deliciosa seguidora de Shivan-qualquer-coisa. A vida é bela. Semana que vem tô aí.
Abraços, Rosivaldo.”

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

A Babaquice Enófila

Vou logo avisando: não conheço e nunca tinha ouvido falar desses caras até tropeçar neles ao fazer uma pesquisa sobre vinhos. A intenção era coletar pérolas de babaquices que assolam aqueles seres que suspiram e reviram os olhinhos em vez de beber logo o bendito vinho.
Aí achei http://www.academiadovinho.com.br/ e “os meu pobrema se acabaram-se”.
Segue texto copiado de lá. E a tirinha do Aran.

O Enochato
Enochato é aquela espécie da qual todos nós conhecemos um exemplar (ou vários).
O enochato chega às festas ou ao restaurante, pega uma taça, certifica-se de que tem bastante gente olhando, faz cara de entendido, gira o copo no sentido horário e com inclinação de 26,487º em relação a Greenwich, funga dentro da taça, revira os olhos, fala um monte de coisas complicadas e depois olha para as outras pessoas presentes com ar superior, como se elas fossem a ralé da humanidade por não entender de vinhos tanto quanto ele.


É justamente por causa dos enochatos que o vinho tem essa fama de coisa complicada, inacessível, sofisticada, exclusiva de gente rica, metida e chata.
Propomos aqui uma campanha internacional de extermínio dos enochatos e para isso não é preciso usar violência. Basta que ninguém mais preste atenção às macaquices deles frente a uma taça de vinho. Sem platéia, o enochato murcha, perde a pose e sai de fininho...



quinta-feira, 26 de novembro de 2009

FICA CALMO...

Tem coisa mais chata do que ouvir isso quando você está nervoso? (É quase tão insuportável quanto a ridícula pergunta: -“Cê tá nervoso?”)
Carái, se eu estou nervoso é porque não estou conseguindo ficar calmo! E não adianta você falar (nesse tonzinho falsamente sereno) preu ficar calmo, porque eu não vou ficar!! Será que é assim tão difícil de entender???

Então, acho que é mais negócio falar pro(a) alteradinho(a) algo em torno de: “Tudo bem. Curte aí a nervosia, mas tenta fazer ela agir a seu favor. Pensa que quando está nervoso você raciocina mais rápido e que isso pode até ser bom nessa situação...”
E por aí em diante.

A idéia básica é distrair o cidadão fazendo com que ele pense numa coisa mais facilmente realizável do que o irritante e obviamente impossível estágio a ser atingido naquele momento: ficar calmo...

Obs.: Nervoso e os Calmantes é uma banda que lançou seu segundo CD na sequência do já clássico (?!?!) “Saudades das Minhas Lembranças”, lançado em 2004.
Com essa sinopse só resta uma conclusão: ou é uma bosta ou é muito bom.

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

CONTRADIÇÃO


Dá pra falar um monte de bobagem sobre isso.
Mas... "Tô cum saco não..."

terça-feira, 24 de novembro de 2009

O HORRÍVEL VÍCIO DO...


JOGO!

(E vocês tinham certeza que era cigarro, né não? Seus pentelhos.)

Tirante as loterias de futebol (Timemania, Lotogol, Loteca, etc) sou jogador assíduo nesse nosso grande cassino estatal administrado pela CEF.

Nas palavras imortais de um filósofo amigo, “O imprevisto só acontece quando você não está esperando”.
Embalado por esse pensamento superior... Sei não, mas acho que a gerência do cassino se embananou com essa história da quina ser “diária” (2ª./Sáb???).
Um atraso ou outro provocado pelas “intempéries”, ainda vá.
Mas tá ficando chato.

Assim sendo, a quina vai ficar sem minha contribuição por um bom tempo: até que as coisas voltem ao normal ou, mais ou menos, uma semana. Se eu agüentar tanto.

COMO DIRIA A SUZANINHA...

"Ainda bem que
o mundo fica tão lá longe!"

"Filipinas - Sobe para 46 o número de vítimas de massacre."

"China executa 2 por escândalo de leite."

"Com lavouras perdidas, Sul deve ter mais chuva hoje. Trinta e seis cidades gaúchas decretaram emergência."

"Vizinhos saqueiam casa onde menino morreu."

"Celular é apreendido com foto de criança armada no Rio."

"Técnica de enfermagem aplicou morfina em bebês, conclui laudo."

"Gangue invade casa e tortura família em Betim."

CARTOONS (e Cartunistas) INESQUECÍVEIS - 3

Desde que lançou sua revista Zap Comix nas ruas de San Francisco, durante o chamado verão do amor de 1967, Robert Crumb (1943) é considerado o pai fundador dos quadrinhos underground.
Hoje, inquestionavelmente, é o grande artista do gênero no planeta. Mais do que isso: para muitos, como o crítico Robert Hughes (da revista Time), Crumb é o maior artista vivo, de qualquer gênero (!!!), no Ocidente.

domingo, 22 de novembro de 2009

... E O FLAMENGO TRUPICOU


Petkovic num mau dia - 75 minutos sem acertar um lançamento;
Adriano jogando como pivô de futebol de salão sem ter quem finalizasse.

Os bambis agradecem a incompetência rubro-negra.
Mas, não acabou não...

BAMBI TROPEÇOU...


Sacanagens à parte.
Há muito tempo não tínhamos um campeonato como esse.
O São Paulo acaba de perder para o Botafogo que sai do rebaixamento apesar da vitória do Fluminense.
O Flamengo joga daqui a pouco contra o Goiás.
E podemos dormir como líderes.
Seguura, peão!!!

sábado, 21 de novembro de 2009

"UM RITUAL DE AMOR..." RESPOSTA


Que os publicitários vivem numa "festa estranha com gente esquisita", todos sabem. Mas isso é normal. O que me espanta é o cliente! O cara que paga a conta aprova coisas inimagináveis.
E esse é um exemplo:
Pão de Forma Seven Boys -
Um Ritual de Amor na Sua Vida.
E agora? Eu, que gosto tanto de queijo quente, tô roubado... Vai ter que ser com ritual!!!

AMOR CORRIQUEIRO


Lizandra conheceu Zé Milton quando já estava cansada de guerra. Divorciada, filhos já grandes o suficiente para chatearem pouco, ela já tinha passado da fase de deslumbramento e estava quieta, vendo a vida andar. O Zé, recém saído de um ajuntamento complicado, estava em plena efervescência. Trabalhava o dia inteiro e caía na noite com entusiasmo juvenil. -“Quando a cabeça está em ordem o corpo acompanha”, explicava a todos que não entendiam a relação inversamente proporcional entre o máximo de disposição e o mínimo de horas dormidas. E tome happy-hour, festinhas, inaugurações, coquetéis, enfim, o que viesse ele encarava.

Aí pintou a Lizandra. Conheceram-se numa festa de aniversário onde ela foi só para apoiar uma amiga que estava interessada no primo do cunhado da aniversariante (coisas que as mulheres fazem dos 8 aos 80 anos). O Zé estava lá porque tinha que estar.

Apartamento pequeno, sala cheia, Dá licença, Ôpa, desculpe o mau jeito, Quer que eu pegue uma bebida pra você? Vinho? Também gosto. Cheio aqui, né? Como é mesmo seu nome? É parente? Também não. Diferente a cor do seu cabelo. Não, não, achei muito legal, sério! Méier? Não é possível, eu também, como nunca nos encontramos? É, devem ser os horários. Também tenho, mas um só. 12. Vejo nos fins de semana, aqueles programas de sempre, futebol, shopping, etc. 21? Pôxa! Foi mãe adolescente? 45? Não parece de jeito nenhum. Você é muito bonita. Eu? 47. Obrigado... a gente faz o que pode.

Daí em diante foram encontros, conversas madrugada a dentro, sexo da melhor qualidade, mesmos gostos, mesmas inseguranças, mesmas reclamações do passado, enfim, tudo o que se espera de um início de romance.
-Sabe o que mais detesto? Mentira.
-É? Eu também.
-Não vejo necessidade de mentira entre duas pessoas que se amam.
-É? Eu também.
-Vamos sempre manter a honestidade, tá?
-Claro, claro.

Passaram a se ver quase todo dia. A Liz (como ele a chamava) estava mais alegre, o Zêmi (como ela o chamava) estava mais calmo.
Entraram na fase da atenção.
-Olha, estou indo tomar uma cerveja com a turma, mas não demoro.
-Fica à vontade querido. Tô te esperando, viu?
-Zêmi, vou ao cinema com a Martinha. Me pega depois?
-Claro, claro.

E passaram para a fase seguinte: o descaso da certeza da relação.
-Pôxa, onde você estava? Porque não ligou?
-Ora, achei que não precisava, você sabe que eu faço ginástica no fim da tarde.
-Mas custava ligar...?

Lógico, chegou o ciúme.
-Zêmizinhô, você não tem mais ninguém, né?
-Deixa de bobagem, Liz.
-Lizandra Gomes (quando vinha o nome todo era porque a coisa estava feia) quem é esse Mauro que te deixou recado? Amigo? Desde quando? E que intimidade é essa?
Amuados, ficavam um tempo prá lá e pra cá até que a paixão falava mais alto e tudo voltava ao normal.

Depois veio o costume, o conhecimento.
-Zêêêêmiii... (Pelo tom de voz e o arrasto do Zêêêêmi ele já levantava e ia pegar um copo d’água porque ela estava lendo e a intensa atividade intelectual dava sede.)
-LizÁ! (Pelo acento no “a” ela já ia pro armário achar as meias que ele nunca sabia onde estavam.)
-Quiriiido... (É almoço de domingo com os pais dela, na certa.)
-Goshshtosinhaaa... (É futebol na hora da novela.)
E assim seguiam exercitando seus códigos como todo casal que se preza.

Hoje as vidas estão assentadas, o Zé Milton de vez em quando apronta uma escapada, mas fica só na cerveja com os amigos, não achando muita graça, pensando em voltar logo pra casa. Chega tarde só pra mostrar uma certa independência e provocar um ciuminho que, segundo ele, é saudável.
A Lizandra, enquanto isso, fica na internet alimentando as fantasias dos quatro namorados virtuais que a conhecem pelo apelido: PDPD24A (Popozuda-Doida-Pra-Dar-24-Anos).
E segue a vida.

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

BABAQUICES COMENTADAS


Faça você também esse relaxante exercício!

Se te deténs a chocar os ovos da intranquilidade, o que deles pode sair?
(Várias opções: uma frase idiota, um pensamento imbecil, uma babaquice impressionante.)

Se Satanás pudesse amar, deixaria de ser mau.
(E se aquela suruba tivesse sido adiada estaríamos livres do autor desta pérola.)

Nunca é largo o caminho que conduz à casa de um amigo.
(Ééé... Vai alargando com o tempo... Boiola!)

Quero estar com você num momento chamado sempre.
(Escrito no bilhete do amante-psicopata-assassino-suicida.)

A alma sensível é como harpa que ressoa com um simples sopro.
(Isso! Fica aí soprando a harpa... Mentecapto!)

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

“UM RITUAL DE AMOR NA SUA VIDA”

Isso é um slogan.

Aí eu te pergunto arguto leitor: Qual o produto você imagina que use essa melosidade como slogan?

(A) Um creme de beleza que abole as rugas femininas num franzir de sobrancelhas.

(B) Um vinho com retrossabor levemente aviadado, quer dizer, aveludado, de delicado frescor, persistência, harmonia e equilíbrio.

(C) Hipoglós para a bundinha do neném gúti-gúti da mamãe.

(D) Um shampoo que não muda a sua voz. Mas os seus cabelos... Quanta diferença!

(E) NRA.

A resposta correta, no sábado.
Ou a qualquer momento caso algum deformado profissional mate a charada antes.

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

LA MAIN DE DIEU


Thierry Henry classifica o timeco da França para a Copa com uma vergonhosa ajeitada de mão.

Assim como na vida, não existe justiça no futebol.
(Quando a gente acha que existe é só um mero acaso fortuito.)

CARTOONS INESQUECÍVEIS - 2

Carlos Estevão é o criador do Dr. Macarra. (E quem tem menos de 50 não deve ter a menor idéia do que eu estou falando.) Nasceu em Recife/1921 e morreu em Belo Horizonte/1970. Era um grande cartunista ou quadrinhista, desenhista, sei lá.
Entre muitos outros feitos, Carlos Estevão também desenhou - e criou - a sequência do Amigo da Onça (quem?) depois da morte de Péricles, o autor do antológico personagem que frequentava a última página d'O Cruzeiro nos anos 50/60 (quando???).
(O Haja também é cultura - inútil, mas é!)

terça-feira, 17 de novembro de 2009

FATURANDO COM DECÊNCIA


Fabrício Carpinejar http://www.fabriciocarpinejar.blogger.com.br/ é um tremendo poeta, cronista, seja lá como vocês quiserem definir.

Com essa estampa improvável é também um cidadão que sabe faturar sua atividade. Dá aulas, palestras, escreve livros e mais livros, vai no Jô, faz gracinha, se desnuda em seu blog, trafega em todas as mídias, se promove com total sinceridade, enfim, o cara vive disso. Mesmo. E bem.

A última dele é o livro "www.twitter.com/carpinejar".
São 416 textos do naipe de:
“O twitter é um orfanato. Todos os pensamentos que não tinham pai e mãe podem ser acolhidos.”
“O twitter é o guardanapo digital.”
“O avô do twitter é o parachoque de caminhão.”
“Não sei se o twitter é literatura, mas é ótimo para treinar epitáfios.”

Me faz lembrar do Groucho Marx...

domingo, 15 de novembro de 2009

BAMBIS, TREMEI!

Flamengo 2 x 0 Náutico. Show de bola do Adriano.
Fez de tudo: gol, passe pra gol, defendeu, armou, só não fez chover.

sábado, 14 de novembro de 2009

HIPOCRISIA POUCA É BOBAGEM

Fuçando atrás dessas incríveis notícias que alimentam o IBN (vide ontem) passei pela fulgurante revelação: “Marcelo Antony vai passar o reveillon em Londres”.
O que só serviu para lembrar desse texto a seguir, escrito em 2004!
E o pior é que nada mudou e se mudou foi pra pior...


Seria cômico se não fosse o trágico e triste retrato desse nosso brasilzinho: o poder público, derrotado em todas as frentes de combate ao crime em geral e ao tráfico em particular, resolve responsabilizar o “usuário recreativo” pelo caos instalado no país.
Claro, imediatamente, diversas personalidades(?) na infinita ânsia de aparecer, embarcam nessa canoa que, tomara, afunde logo com o peso de tantas asneiras cínicas no estilo “Cada baseado comprado é uma bala na arma do tráfico”, “Os pequenos usuários sustentam o tráfico”, “Quem usa está alimentando a violência” e várias outras mais.

Na esteira da prisão do Marcelo Antony (comprovando a tese que afirma todo Antony ser um “garotinho”) os mais variados imbecis de plantão deitaram e rolaram na prática do mais apreciado dos esportes nacionais – falar e fazer bobagem com grandes ares.
E tome de abraçar a Rocinha, levar flores para os favelados, etc, etc.
Não faltou nem o dinossauro Jorge Mautner, do alto de seus, aproximadamente, 114 anos de doideira vir a público caitituar uma musiquinha feita em parceria com aquela coruja de tranças que dá meio expediente no ministério da cultura, apresentando o seguinte esplendor literário:
"Maldita seja essa coisa assassina/ Que se vende em quase toda esquina/ E que passa por crença, ideologia, cultura, esporte/ E no entanto é só doença, monotonia da loucura e morte."

Mais ridículo só o Jabor, no seu jeitinho pseudo-revoltado, dizendo que “O crime no Rio vive do nariz dos otários”. Nooossa, Jabor!!! Que ferino você é, hein?
Aí, no intervalo da preleção jaboriana, somos inundados de comerciais de cervejas, uísques e afins. Qualquer ser humano que tenha chegado ontem ao planeta está cansado de saber que o álcool é responsável por índices absurdamente altos de mortes no trânsito e fora dele. Mas os milionários impostos que sustentam nossa corja política fazem com que o álcool e o cigarro estejam firmes na vida de todos. E, quando alguém morre é porque, ora, devia ter “apreciado com moderação”!

Quem é o culpado pela guerra da Rocinha e por todos os fernandinhos-beira-mar do nosso Brasil-zil-zil?
O descaso do poder público?
A corrupção desenfreada nas esferas políticas?
A polícia corrompida que amedronta tanto quanto a bandidagem?
A legendária impunidade dos eternos coronéis do poder?
Os altos escalões envolvidos no trilionário negócio das drogas?
Claro que nenhuma dessas alternativas.
O culpado é você, meu camaradinha! Ééé... Você mesmo, que está aí pitando seu baseadinho junto com sua gatinha, na boa, em casa, tranquilão. Você é que viabiliza tudo isso, viu? Seu pulha, imundo!

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

O IBN* NÃO PODE CAIR

Mais notícias fundamentais para manter a babância em dia.


Obs.1: A legenda da foto é prova que os “editores” sabem muito bem com quem estão falando.

Obs.2: Haja Madonna...

Aniversário do caçula de Angélica e Huck reúne famosos no Rio.

Fiorella Mattheis apresenta sua cadelinha à de Giovanna Ewbank.

Carolina Dieckmann devora sorvete com o filho em show infantil.

Luana Piovani circula pelo Rio de Janeiro a bordo de ecotáxi.

Sábado quente leva Viviane Araujo e Patrícia Poeta à praia no Rio.

Blecaute atrapalha jantar de Madonna no Rio.

Jesus Luz aparece no terraço do hotel Fasano.

Madonna e Jesus Luz jantam no Sushi Leblon.

Madonna janta hoje na casa de Eike Batista, no Rio.

*Índice de Babaquice Nacional

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

LISTA

Acho esquisito, mas parece que todo mundo gosta de lista.
Então...

DEZ COISAS QUE VOCÊ PODE FAZER
PARA ESVAZIAR UM SELF-SERVICE.

1. Falar bem alto na fila: “Minha anorexia hoje tá braba. Já tô querendo vomitar antes de comer...”

2. Gritar em direção à cozinha: “Pô, Jandira! Esse fígado tá parecendo intestino...”

3. Dançar esbarrando em todo mundo enquanto canta “Adu a-adu cada um nu seu quadradu, vai paquitu, vai paquitu”.

4. Fazer "cara de amway", olhar para todos ao redor e perguntar: “Vocês estão satisfeitos com o que estão ganhando?”

5. Vestir uma farda camuflada e entrar aos berros: “Tropa de elite, osso duro de roer, pega um pega geral, também vai pegar você!”

6. Olhar embaixo das mesas suplicando: “Volta Isaurinha, minha vida não tem sentido sem você!” Em seguida explicar que Isaurinha é sua ratazana de estimação.

7. Carregar um menino bem sujo e melequento e fazer um discurso sobre Cidadania Plena e Fome Zero.

8. Falar com a boca cheia: “Fério mevmo. Afo a Dilma um tevão...”

9. Contar, com riqueza de detalhes, o que fez com a “patroa” durante o apagão.

10. Peidar.

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

CURIOSIDADE:

O "Haja" vem sendo acessado por pessoas provenientes dos Estados Unidos, França, Alemanha, Suíça, Itália, Holanda, Espanha, Japão, Bélgica, Índia, Tailândia, Quênia, Uruguai, Bolívia, Colômbia, Chile, Portugal e mais alguns “unknowns”.
Tirando o Paulo Emilio - que é meu amigo, colaborador anárquico e está na Tailândia, é claro que todos os outros acessos são também de brasileiros espalhados mundo afora.
PÔ!
Bem que podiam dar uma comentadinha ou dizer um pouco de vocês ou, pelo menos, contar como acharam o "Haja"...
Falaí galera!

UNIBAN: MUITO ESTRANHO

Sou bom em pedacinho de curso e, consequentemente, um constante freqüentador de faculdades - no século muito passado, é claro. Estudei um pouquinho de engenharia elétrica na Gama Filho, um pouquinho de civil em Barra do Piraí e na Santa Úrsula, outro pouquinho de administração na Estácio, mais um pouquinho de marketing na PUC e propaganda na ESPM (tremenda roubada, diga-se de passagem).

Mas isso não importa. Importa é que em todas as escolas (um pouco menos nas engenharias, é claro) o que tinha de mulher gostosa era uma grandeza. E, mesmo no século passado, sempre desfilavam as mais acessíveis (se é que vocês me entendem).
Então, uma multidão gritando puuta, puuta, para uma lôra que está de minissaia me parece uma parada gay enrustida. Ou não?
E, mais ainda, aí ela é expulsa e em seguida, "desexpulsa"!!!
Pelo jeitão, "all in" que acaba no BBB e/ou nas playboys da vida...

terça-feira, 10 de novembro de 2009

CARTOONS INESQUECÍVEIS - 1

Jaguar - o imbatível - abre a série. (Colaborações são benvindas!)

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

DO “LARGADO EM GUARAPARI”

Num vagão de metrô, um anão começou a escorregar pelo banco e um outro passageiro, solidário, o recolocou na posição.
Pouco depois, lá ia o anão escorregando e o mesmo passageiro o recolocava no assento.
Quando a situação se repetiu pela quinta vez, o homem, já irritado, esbravejou:
-Será que você não consegue ficar sentado direito?
Ao que o anão respondeu:
- Meu amigo, a umas cinco estações estou tentando desembarcar e o senhor não deixa!!!

domingo, 8 de novembro de 2009

CHORA, CACHORRADA!!!

Mais um olímpico do Pet, mais uma chinelada nesse timinho.
(Não adianta: quem nasceu pra Diego Tardelli nunca chega a Adriano...)
MEEEENGOOOO!!!

sábado, 7 de novembro de 2009

MANHUMIRIM OU MANHUAÇU?


“Atores formam um segmento de seres privilegiados: são pagos para fazer o que todos nós fazemos, gratuitamente, durante toda a vida”.
Esta afirmação é generalista, preconceituosa e cínica. Mas, entre outras coisas, serve para criar clima em qualquer reunião social. Serve também pra gente dar uma pensadinha.
A verdade é que todos representamos 24 horas por dia. Claro que os atores estão cumprindo sua missão, sua vocação, estudam muito para fazer o que fazem, etc, etc. Mas nós, reles espectadores, protagonizamos nosso showzinho todos os dias e o que é pior: sem platéia, ou às vezes, com platéia hostil.

Lembra aí, prezado leitor: você ontem saiu de casa cedo, passou na banca, comprou jornal, tomou um cafezinho no bar, chegou no trabalho, falou com os colegas, cumpriu suas obrigações e foi almoçar. Parando por aí, quantos papéis você representou nesse curto espaço de tempo?
Na banca você fez o cidadão amistoso, que conversa sobre os assuntos da hora com aquele distanciamento que sua condição de pessoa bem informada lhe concede.
No cafezinho, fez o apressado executivo que tem coisas importantíssimas a resolver no dia que começa, mas pode se dar ao luxo de perder um tempinho com a plebe para xingar o juiz que roubou seu time no jogo de ontem.
No trabalho, fez o funcionário correto, sempre atento, cumpridor de seus deveres, como também fez um arremedo de Casanova para aquela secretaria gostosa que começou a trabalhar na semana passada.
No almoço, se foi em casa, fez o chefe de família fiscalizador do andamento de seu castelo. Se foi no restaurante, fez o executivo entediado, incrédulo com os rumos da política econômica nacional.
E por aí vai. Se entrarmos pela noite é covardia. Numa mesma noite, começando pelo happy-hour e terminando nas mais obscuras vielas da cidade, os papéis se sucedem numa velocidade vertiginosa.

O que pode nos levar a profundas conjeturas (ou, pelo menos, render assunto):
Desses todos aí, quem sou eu? Sou um deles ou sou a soma de todos? Claro, a segunda opção é a mais comum. Mas não a mais leve. Pensa bem: é chato saber que temos uma atitude, uma postura, uma face para cada situação, para cada ambiente, para cada grupo de pessoas. Que, por sua vez, também são camaleões tanto quanto nós. Daí, só podemos esperar mesmo é esse caos comunicativo em que vivemos, tornando, a cada dia, mais real e menos engraçada aquela velha piada dos dois mineiros que se encontram na rodoviária:
-Pronde cê vai cumpadre?
-Manhumirim.
-Então, boa viagem! (O cumpadre tá falando que vai pra Manhumirim que é preu pensar que ele tá indo pra Manhuaçu. Mas num me engana não.. Eu sei que ele tá indo é pra Manhumirim mesmo!).